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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mostrando a bunda


MOSTRANDO A BUNDA

Um encontro quase às cegas é o que me aconteceu neste fim de semana. Num site de chat de relacionamento gay um cara me contactou e conversamos na cam e por fim marcamos um encontro numa cafeteria no bairro onde ele disse que morava. Fiz barba, tomei banho, me perfumei, me vesti com bermuda e camisa polo, me enchi de pensamentos positivos e lá fui eu para o encontro.

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Ass

O cara tinha me visto na cam mas como ele não tinha cam, pedi que se ele me visse primeiro na cafeteria ele se dirigisse a mim e me cumprimentasse. Não costumo dar muita chance a quem não tem imagem no seu perfil em sites de relacionamentos, mas como ele saiba conversar (sim, tem caras que não conversam no chat, embora chat seja para conversar, não é mesmo?), acabei deixando rolar.

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Ass

Durante a conversa no chat ele acabou me apresentando uma foto sua, não dava para ver bem o rosto, porque foi tirada a uma distância que não ajudava a visualização do rosto. Mas permitia ter uma ideia de como era o rosto, então fui para o encontro na cafeteria com uma vaga ideia de como era o rosto da pessoa.

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O corpo dele estava dentro do que gosto em um homem, agora a mente dele só saberia como ela era no encontro. Isso me motivou a ir. Por mais que se escreve ou se veja na cam, há limitações e eu acho que o que mais corrompe a comunicação na cam é que queremos ser naturais, dificilmente o somos frente a uma câmera.

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Cheguei na cafeteria às 11 horas da manhã, e ele chegou às 11 horas e dez minutos. Quando ele entrou percebi que devia ser o cara que eu tinha marcado encontro no chat gay, afinal, a cafeteria estava deserta, só havia uma funcionária, eu e ele. Me levantei e sorri para ele, ele se aproximou da minha mesa.

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Eu, cordialmente, estendi minha mão para apertar a dele, ele demorou alguns segundos para se decidir a apertar minha mão. Minha intuição me advertiu que algo não estava certo, porém, logo em seguida me veio o pensamento corretivo que talvez ele estivesse constrangido em estar com um cara que encontrou num site gay na Internet.

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Novos tempos, novas tecnologias, o que significa que novos hábitos devem ser considerados e assimilados. Marcar encontro em chat é que não é novidade, a gente vai encontrando virtual e realmente os caras, tudo vai ficando naquela sensação de "deja vu". Achei curioso da parte do cara ficar "tímido" na presença de outro homossexual, achei até charmoso a sua atitude reservada.


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Eu não fico constrangido num encontro com um cara que conheci na Internet. Gosto de conversar e conversar pessoalmente ("na real") e procuro aproveitar aquela vantagem de se poder olhar nos olhos, perceber nos gestos do cara o que o seu corpo fala, sentir se há uma "química" entrepassando nossos olhares. Enfim, percebo um encontro "real" como uma oportunidade de ser feliz. Se assim é, que incômodo eu deveria sentir?

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Enquanto ele estava para chegar eu não pedi um café expresso, embora a atendente tenha me oferecido. Disse a ela que tomaria o café quando "meu amigo" chegasse e a atendente me disse que o ambiente era uma "bookstore", ou seja, havia livros que a gente podia folhear (e comprar) enquanto a gente saboreava o café.

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Eu ao me aproximar das estantes percebi que os livros eram sobre a fé cristã, do tipo protestante. Não tenho nenhuma religião, não sou a favor nem contra religião, mas me senti incomodado de ir parar logo num lugar que transpirava Jesus por todos os cantos. Sabe aquela coisa da gente, por mais esclarecido que se possa ser, ainda encare o sexo gay como, como dizem os evangélicos, algo "ímpio".

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Do canto do meu ombro esquerdo um minúsculo espírito todo vestido de vermelho me dizia "tem algo errado acontecendo aqui" mas do outro lado, no ombro direito, um minúsculo espírito todo vestido de branco me dizia "quer lugar mais sem concorrência de outros gays para atacar?".

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Por duas vezes minha intuição apontava que algo estava fora do normal. Nos sentamos, a mesa era redonda e minha cadeira estava colocada na posição oposta à cadeira dele. Então, arrastei minha cadeira para mais perto da cadeira dele enquanto ele se sentava. Quando ele acabou de se sentar, já era tarde, eu já tinha arrastado minha cadeira e estava bem próximo à ele.

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Eu disse que eu era o Beaga24 e dei a ele o meu (verdadeiro) nome e para puxar assunto perguntei o significado do apelido dele no site de relacionamentos. Ele disse que tinha relação com o nome que ele dava quando brincava de jogos online. Eu tenho a mais completa indiferença com jogatina e por extensão com jogos em rede na Internet. Não sei jogar carteado, não sei jogar batalha naval, nada.

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Bom, viva a diferença! Viva a diversidade! Ele não tem que ser o que eu quero que ele seja, não tem que fazer o que eu faço, não tem que gostar do que eu gosto. Eu teria me sentido melhor naquele momento se eu percebesse que havia mais afinidades entre nós do que disparidades. Minha intuição novamente incorporou na forma de miniaturas nos meus ombros.

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Para me esquecer do intenso diálogo que acontecia em cada lado dos meus ombros, eu ia puxando conversa, sempre eu puxando conversa. Isso dava mais assunto para as miniaturas nos meus ombros. Até que eu me convenci que realmente não estava sendo um encontro agradável, isto aconteceu exatamente quando me deparei com a verdade de que eu não tinha nada da figura de pai ("father figure") que ele transparecia querer que eu fosse.

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Eu devo ter aborrecido a ele com a exposição da minha situação, que vem ser a seguinte: eu tenho 56 anos mas não sou do tipo paternal. Gosto de homens mais velhos, não gosto de (sexualmente falando) de homens mais novos. Contudo quando estivermos trocando ideias jamais eu vou ficar adentrando em assuntos "domésticos" da pessoa, incluindo-se ai seus altos e baixos emocionais. Homem para mim é para sexo, não é para terapia.

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Não vou a um encontro "sexual" com o objetivo de achar o homem dos meus sonhos. Agora, quando eu for a um encontro com um amigo, talvez possa adentrar em intimidades relacionadas ao que o meu amigo anda fazendo, ao que o meu amigo anda sentindo, ao que o meu amigo anda sonhando. Mas se o encontro cair na categoria "encontro com macho" não há porquê eu ficar envolvido em assuntos pessoais, nem nos meus, nem nos dele.

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Essa coisa de ir ao um encontro arrumado num site de relacionamento gay pretendendo encontrar o príncipe de sua vida, não é comigo. Quero ir a um encontro cujo objetivo, pelo menos para mim, é encontrar sexo fácil, e não quero me deparar com um cara que tem sobre a cabeça uma placa com os dizeres "será que você vai se enquadrar como o homem da minha vida?"

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Não que não possa acontecer que um homem encontre o amor da sua vida num site de relacionamentos gays. A questão é que EU não uso o chat de relacionamento gay para encontrar um par romântico. Infelizmente acabei por concluir naquela mesa de café que os dizeres na placa sobre a cabeça do cara tinham mudado de dizeres, agora estava escrito "você não se enquadra como o homem da minha vida". Se não era isto, outros dizeres tão equivocados quanto.

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Há a probabilidade de que o que eu pensava e sentia à respeito desse encontro não correspondesse a nada do que significava para ele. Contudo, cada vez mais, eu ia me distanciando da possibilidade de ter encontrado um parceiro sexual para colocar no lugar ter encontrado um outro homossexual ao qual eu não tinha condições, nem sabia como, satisfazer às suas necessidades, quaisquer que elas fossem.

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Enfim, a situação estava ficando insustentável. Me veia a infeliz ideia se ainda dava pra salvar uma trepada e disparei "você quer me comer?" e ele disse que só tinha tempo livre depois do Carnaval. A Grande Depressão de 1929 misturado com o Tsunami de Banda Acé caiu sobre mim e já nada se salvava naquele ambiente.

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Não estou dizendo que ele causou o desastre, também eu não causei. A coisa toda pode ser concluída como nós sonhos dois homossexuais que estando juntos pessoalmente mostramos mais assimetrias que empatias. Talvez se fosse um encontro numa sauna ou motel cuja performance fosse similar a de marionetes (movem-se mas não podem falar) a coisa teria dado certo.

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No infeliz ambiente da cafeteria evangélica, não havia mais salvação para nós. Sentando e conversando com ele eu já pensava no meu possível próximo encontro com um outro cara daquele site e chat gay. Se houver uma oportunidade eu gostaria de me encontrar com o cara da cafeteria, mas agiria e falaria diferentemente do ocorrido naquele sábado.

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Me lembro que muitos anos atrás, acho que em 1984, eu estava numa festa no Dia da Consciência Negra, no CONIC, em Brasília. Estava sentado numa mesa acompanhado do meu então namorado e na mesa havia outras pessoas que ele conhecia, mas eu não. Um pai de santo, que é o nome que se dá a um sacerdote da religião do candomblé, quando inesperadamente ele me olhou fixamente e me disse "Você transforma todos os seus amantes em amigos".

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Acho que foi exatamente isso o que aconteceu naquela cafeteria. Eu encontrei um homossexual ativo que poderia e queria fazer sexo comigo e o transformei em amigo. A conversação que tivemos fez com que eu o transformasse de amante em amigo. Foi um erro. Eu deveria ter mantido o foco sexual, só falado de sexo, nada mais.

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O problema comigo é que eu sou do tipo que não consigo fazer sexo com um homem que nem sei qual o timbre de sua voz. Eu preciso conversar, eu preciso processar informações que, presumivelmente, me deem segurança, me deem tranquilidade de estar perto do cara. Depois de alguma exposição mútua fica mais fácil para mim partir para o ato sexual.

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Por outro lado, pode ser que inconscientemente eu esteja procurando um companheiro, não um amante. E a realidade aponta que parceiros românticos não são encontrados em sites e chats gays. Com essa confusão toda eu acabo constrangendo os parceiros sexuais que aparecem, mesmo eu não falando, acaba transparecendo na conversa o meu "objetivo oculto", isto é, namoro, compromisso sério.

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Eu penso que no fundo todos nós queremos ser felizes, e o sexo á uma atividade que nos deixa felizes (eu deveria deixar). Dá vontade de que a sensação de felicidade que se tem fazendo sexo com outro homem perdure por todo o dia, por toda a semana. Talvez seja isso. O desejo, ou vício, de querer ser feliz por mais tempo, até mesmo indefinidamente.

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A gente fica na cama com um cara, depois outro, e por ai vai. Vamos tentando segurar a felicidade que restou depois que a transa terminou e nos vemos na condição insustentável de constatar que já passou. E é preciso ir pra cama com outro homem, e continuar o círculo vicioso. Ficamos desejando acabar com isso e a solução seria encontrar um namorado, um parceiro definitivo.

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Chega a hora em que nossa piscina já está cheia de ratos e as ideias não correspondem aos fatos, mas continuamos a procurar o cara certo. Achar o homem certo passa a ser quase uma ideologia, e você sabe, precisamos de uma ideologia para viver. Será que um dia vou encontrar alguém legal e eu serei o cara legal para esse alguém?

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2 comentários:

  1. Alguns eu comeria. Sou viciado em cu . Sou ATIVO mas não despenso um cu .gosto tanta o de um bom cu que toda dia eu tenho que comer o cozinho da minha mulher .ela tem um dos melhor cu que eu ja comir .
    os meus amigos sabe que eu só viciado em cu que toda vez que aparece uma mulher ou homem novato eles querem saber que nota eu do.
    Se você é de Fortaleza e quer dar um seu cuzinho para um roludo de 19 cent e 14.5 de cincuf e só deixar comentário para.
    SUPER TARADO.

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