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terça-feira, 19 de junho de 2012

Língua brasileira

O Brasil tornou-se colônia de Portugal em 1500 e em decorrência a sua língua oficial é o português, contudo o português falado no Brasil atual é parecido mas não o mesmo falado na Europa. Os povos indígenas que habitavam as terras recém-descobertas tinham suas próprias línguas e com o tempo as nações indígenas agregaram palavras ao idioma português, como também o fizeram os negros trazidos escravos da África.


O resultado é que no Brasil fala-se a língua portuguesa, e não a língua brasileira. Não existe, portanto, uma língua brasileira. A partir dessa obviedade decorre que o Brasil tem um forte laço cultural para com Portugal, principalmente, mas não somente, pelo legado do idioma português. As diferenças e divergências ortográficas existentes nos estavam distanciando e, assim, algumas reformas se fizeram convenientes para reverter a situação.


Portugal fala português desde o século XII embora somente em 1911, logo após a implantação da república, houve uma estandardização ortográfica, a chamada REFORMA GONÇALVES VIANA. Até esse momento tanto em Portugal e também em outros países lusófonos, inclui-se aí o Brasil, a escrita das palavras tinha forte semelhança com o latim. Houve um período de três anos para a adoção dos novos critérios adotados para a língua portuguesa, porém o Brasil não acatou essas mudanças ortográficas.


O Brasil continuou com a velha ortografia, por exemplo farmácia era pharmacia, ciência era sciencia, fase era phase, proibido era prohibido, teatro era theatro, difícil era difficil. Somente em 1931 o Brasil adotou a ortografia vigente em Portugal. Veja você, o Brasil só usou a ortografia reformada 20 anos depois! A busca de uma maior convergência entre as "duas" línguas portuguesas continuou depois dessa primeira providência. 


Mais mudanças no português do Brasil ocorreram em em 1943 quando Portugal e Brasil revisaram a escrita de alguma palavras no chamado FORMULÁRIO ORTOGRÁFICO, mas que não resolveu de vez o contraste de lá e cá. O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1945 trouxe mais alterações na escrita da língua portuguesa mas o Congresso Brasileiro não aprovou as mudanças sugeridas por Lisboa e o Brasil continuou a escrita adotada em 1943. 


O Brasil e Portugal adotaram uma nova reforma, a REFORMA ORTOGRÁFICA DE 1971, de modo que no Brasil surge 28 anos depois mais uma modificação na ortografia. Até que tiveram bom senso nas mudanças, por exemplo, houve a modificação de ÊLE por Ele (Você viu êle? passou a ser Você viu ele?). Notou que o acento circunflexo caiu? Passaram-se outros 19 anos e aconteceu mais outra reforminha, o ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990.


Esta reforma era mais para dar prestígio à língua portuguesa no mundo, uniformizando, ou melhor tentando uniformizar o que era notadamente diferente. Já pensou um inglês, ou francês, ou um alemão que aprende a língua portuguesa e tem que a reaprender se ele vai pra Portugal, ou Brasil, ou Angola etc. Toda vez que visitar um país que fala português vai ter que reaprender a língua portuguesa.


A intenção desse tratado foi dar uma melhorada nessa zorra toda mas o perigo, a nuvenzinha preta jogando raios, era de tudo terminar num Frankenstein. As autoridades estavam sim era querendo via ação política tornar parecido a escrita, por exemplo, de um produto feito no Brasil ou em Portugal, de modo que quando o produto entrasse no mercado globalizado estando escrito do mesmo jeito na língua portuguesa.


Se você pensa que com isso conseguiu-se a unificação da ortografia da língua portuguesa você está longe de estar certo. O Congresso Brasileiro só aprovou as modificações em 1995, para entrar em vigência em 2009. A intenção de tornar a língua portuguesa uma língua de trabalho na Organização das Nações Unidas - ONU estava difícil de ser realizada já que os países falantes não tinham uma língua (escrita) comum.


Vamos supor que na ONU um brasileiro fale que é preciso implementar ações de prevenção e controle da AIDS. Depois dele o palestrante é de Portugal e o palestrante diz que tem que implementar ações de prevenção e controle da SIDA. Pois o fato é este: AIDS no Brasil é SIDA em Portugal. Este é só um exemplo, tem centenas de outras diferenças no que se escreve nos países de língua portuguesa. Você sabia que viado em Portugal é paneleiro e que sapatão é fufa?


Veja mais a diferença de significado de várias palavras no Brasil e em Portugal no site RECANTO DAS LETRAS e no site ALZIRA ZULMIRA. Bom, o último acordo ortográfico de 1990 em Portugal não foi +/- aceito, com razão ou não. Esta revisão acatou como certo a grafia assembléia, que era a grafia usada no Brasil, enquanto o povo de Portugal estava acostumado a escrever assembleia. No Brasil microondas quando os portugueses estavam acostumados a escrever micro-ondas.


Este último acordo ortográfico ("AO") entrou em vigência em 2009 e tinha 3 anos de implementação, isto é, durante 3 anos ainda o povo brasileiro poderia usar a escrita antiga, mas devia ir se acostumando e se preparando para usar a nova grafia. Portanto em 31 de dezembro de 2012 acaba a chance de escrever do modo antigo, a partir do Reveillon é analfabetismo escrever do jeito anterior. 


Eu estou ortograficamente desorientado sentindo-me semialfabetizado, no alto dos meus 52 anos, dois cursos superiores e duas pós-graduações. E tendo trabalhado décadas na área de comunicação! O novo acordo ortográfico, na minha opinião, é uma aberração, particularmente a parte do hífen. Você não pode mais usar anti-inflamatório, agora só use anti-inflamatório, ok? Se você gosta de um doce chamado pé-de-moleque, agora vai gostar de pé de moleque, tudo separadinho.


Eu quando estou em apuros recorro ao site do GRAMÁTICA ON-LINE, já que eu espero que até da de dezembro de 2012 eu tenha decorado a regra que está valendo para o hífen. Tentarei esquecer que não existe mais anti-cristo e sim anticristo. Pena que a merda da crase não sumiu! E o tal do porquê ou  porque, que falta faria? E a concordância no plural de certas palavras compostas tais como pisca-pisca tem plural piscas-piscas (também pisca-piscas tá certo).


E vem mais ortográficas mudanças no futuro pois onde passa um boi passa boiada. E eu pensei que o pior que me tinha acontecido foi decorar tabela periódica ou mesmo decorar verbos em francês. Mas talvez mexendo bem na memória o pior de aprender foi como calcular moles nas reações químicas. Pera aí, e as fórmulas de volumes de pirâmides e cubos? Fazer diferenciação e depois voltar para integral? Não! O pior de tudo é decorar para depois ter que redecorar de outro jeito, de uma hora pra outra...

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