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terça-feira, 26 de junho de 2012

Bulge bulto paquete malas - 10

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Tem cada uma que me acontece e imagino que você também deve ter passado por umas situações, no mínimo, sem noção. A gente acha que o tempo vai passando e a gente já viu de tudo mas não é bem assim. Algumas conclusões tomadas podem ser precipitadas e errôneas. Vamos a um caso que aconteceu comigo e com um professor meu da faculdade. Espero que goste, do texto e das fotos.






Uma vez por semana eu tinha aula com um cara mais ou menos na minha faixa de idade, 50-55 anos, portanto ele era um cara inteligente (já que era professor de uma importante universidade de Belo Horizonte). Também era classe média alta, tanto devido ao salário que recebia por dar aulas quanto pela herança deixada por seus falecidos pais.






Ele vinha uma vez por semana com a sua Saveiro (um tipo de carro com caçamba que só cabe 2 pessoas, você sabe, né?) dar aula e de sua casa até a faculdade devia dar uns 35 a 40 quilômetros de distância, passando parte do trajeto no alto das montanhas que são o cartão postal da cidade. Ele gostava do barato, isto é, maconha, e algumas vezes parecia que dava aula doidão.






Mas o fato dele usar maconha não é da minha conta e parece que para a coordenação do curso também. As aulas dele eram muito tranquilas, dava pra tirar notas boas sem esforço. Sabe aquela situação que o professor finge dar aula e o aluno finge estar aprendendo, era algo neste nível. A gente já entrava na sala sabendo que ele raramente faria a chamada e que prova era em grupo, com consulta.






Por ele ser tranquilão acabava conquistando a simpatia dos alunos, ainda mais que ele falava abertamente que gostava de um bagulho. Eu, modéstia à parte, era um aluno, daqueles que se esforça pra aproveitar o tempo para aprender o máximo. Eu achava que ele devia dar a matéria com um seguimento coerente (bom, eu não era tão modesto, ao agir assim você vê que me sobrava prepotência) e então eu falei pra ele que eu me oferecia para reunir numa apostila os textos que ele mandava a gente xerocar.






O meu professor gostou da ideia e me pediu para fazer a tal apostila, na verdade nem seria complicado, era um trabalho de reunir vários textos de autoria dele e de autoria de terceiros (os chamados "cases") e eu iria receber uma grana dele quando terminasse a apostila. Nisso a gente aumentou nossa proximidade e até ele me dava carona até minha casa, várias vezes, já que minha casa fica perto da rodovia que ele trafegava.






Eu gostava dele pelo jeito que ele me tratava, mais do que como aluno, uma prova disso é que uma vez ele me levou de Saveiro até a praça de alimentação de um shopping e lá almoçamos juntos. Ele sempre cantava as moças que ficam naquela casinhas que recebem o cartão do estacionamento, me disse até que uma vez comeu uma delas, me disse que gosta de mulher assim, tipo operária.






Eu achava engraçado ele vindo de uma família rica, podia arrumar mulher mais culta e sofisticada, até na Europa onde tinha morado. Me contou que tinha viajado pelos Estadops Unidos "on the road" como um seguidor de KEROUAC, na sua juventude. Solteiro, morando numa casa boa que tinha até sauna, com um Dog alemão, cercado de mata nativa, mata que tinha até macaquinhos. Sim, uma vez ele me levou até a casa dele.






Nas nossas conversas, sobre apostila ou não, tentei passar para ele que eu transava de vez em quando, sem compromisso, e na minha cabeça eu achava que ele tinha entendido que eu era bissexual. Ou homossexual já que eu jamais falava de mulher. E nem ficava procurando mulher na faculdade, não sei se você sabe, mas a proporção de mulheres na minha sala (e na universidade) era muito superior à de homens, acho que 70% era mulher.






Com aquele lance dele dizer que transava com mulheres de classe social bem mais baixa que a dele eu imaginei que ele tinha problemas de relacionar-se com mulher e como ele dificilmente falava sobre mulher... ...e eu também não, a gente tinha tudo a ver. Homem com amigo homem você sabe como é, o papo sobre mulher acontece quase o tempo todo. Como conversa sobre mulher não rolava entre nós, nem ficávamos rodando o carro procurando mulher, eu tirei algumas conclusões sobre ele.






Claro que ele podia estar comendo mulher e não me contar, porém não devia estar comendo porque ele demonstrava uma grande carência afetiva e tentava supri-la com a minha pessoa. Uma segunda vez ele me levou na casa dele, depois da aula, portanto devia ser um meio-dia, estava com fome e ai eu abri o freezer porque ele disse que tinha umas coxinhas que dava pra fritar. Mas estava vencido o prazo de validade, claro, desligadão como ele era, tive que jogar vários pacotes no lixo.






Ele tinha uma parte da casa que era um quarto com uma grande porta envidraçada com vista para o jardim, cadeiras de vime, almofadas e um monte de bebidas destiladas numa mesinha. Ele me deixava à vontade, eu falava e fazia o que queria, ele também, na descontração. Eu me sentei e peguei um copo de Cointreau (fala-se coan-trô) e ele foi fazer algo lá dentro da casa. Só sei que fui ficando alcoolizado, ainda mais que parti pra experimentar um uisquezinho.






Fiquei ali tomando umas e vendo a paisagem, o cachorrão dando voltas no jardim, uma rádio com uma música legal tocando, espichado na cadeirona de vime, apoiado na almofada. Foi me dando tesão. Dei umas esfregadas no meu pau o que só fez ele endurecer de vez. Ai o meu professor chegou e eu, sei que é doideira, me levantei e fiquei na frente dele  e com uma voz carinhosa eu disse que estava a fim de comer ele.






Ele ficou estupefato, só olhava, não dizia nada. Parti pro abraço. Ele reagiu. Ele deu uns passos pra trás. Eu insisti falando que a gente podia transar o que você gosta mas ele surtou. Disse que eu estava enganado e era pra eu ir embora. É assim é? Ele me leva na casa dele, ficamos só nós dois, me dá bebida e conversinha mole e quando se abre o jogo não quer partir pros finalmente?






Eu entendi que ele queria algo sexual mas algo mais "light" como uma punheta a dois, ou só um mostrar o pau pro outro. Fazer sexo era demais pra cabeça dele. Eu não acho que tinha errado na minha interpretação dos fatos pois homem não fica passeando de carro com homem, indo a shopping e levando pra casa. No fim deu tudo errado. Fiquei com a difícil tarefa de chegar em casa e bater uma pra aliviar e com a fácil tarefa de me afastar dele.





Na próxima aula eu devolvi o pendrive e nem cheguei a dizer que não ia fazer apostila porra nenhuma, com a cara que fiz já deu pra ele sacar que de mim não teria mais nada. Assisti às aulas numa boa, nosso relacionamento era de professor e aluno, portanto, nada a declarar. A partir de então se a gente trombava na faculdade eu e ele não nos cumprimentávamos. Por mim não fazia falta, mesmo havendo esse clima pesado entre nós não atrapalhou eu passar de ano.






A impressão que ficou pra mim é que ele é muito gente boa, um cara fácil de chegar e trocar umas ideias, exceto no escopo da sexualidade. Posso estar errado mas conclui com o episódio que este tipo de usuário de maconha gosta mais de maconha que de sexo. A outra conclusão (mais uma?) que tirei é que ele evitava viver um relacionamento real com as pessoas, era como se ele gostasse de ficar nas nuvens lá de cima, protegido. De preferência no meio não de nuvens de vapor d'água mas de fumaça do cigarrinho do capeta.






O detalhe é que eu não sou a companhia certa pro momento de fumar maconha, já experimentei, não uso e não sou contra nem a favor. Eu gosto é de sexo, sexo é que faz a minha cabeça. Entramos num conflito de interesses e deu no que deu. Eu encaro sexo com naturalidade, como se fosse tão somente mais um tipo de comunicação entre dois homens. Uma forma de um homem extravasar emoções, prazer e dor com outro homem.






Eu tenho a firmne convicção que um homem entende melhor outro homem. O universo feminino tem sensibilidade e um amor maravilhosos mas como existe uma inevitável "guerra de sexos" um homem partilha melhor seus problemas e necessidades com outro homem. Eu agi como agi pautando-me nessa máxima, e esperei que a exposição da minha intimidade para com ele permitisse a ele que ele se abrisse comigo. Mas aconteceu justamente o contrário.






Cada um é cada um, estou no meu "timing" e ele no dele. Sou muito sincero e claro com as pessoas, evidentemente guiando-me pelo bom senso e discreção. Não é porque sou gay que vou sair por aí achando que todo mundo tem que me aceitar e até ser meu parceiro sexual. Eu, já nos meus 52 anos, não tenho mais porquê ficar com sexualidade mal resolvida, se tem homem no pedaço dando a entender que está querendo algo eu vou no quem não arrisca não petisca, se der certo é lucro.







Eu gostaria de um dia poder reencontrá-lo e pedir desculpas por eu "bater na trave" nessa área delicada de sua vida. Eu não me comportei bem, sinto muito.O que ficou depois deste constrangimento (mais pra o professor que pra mim) é que a minha cabeça de baixo deve ter aprendido alguma lição.

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