sábado, 21 de maio de 2011

De trem até a praia - Parte 2

O trem saiu de Belo Horizonte às 7 horas (da manhã) e às 14h06 chegou em Governador Valadares, uma cidade de uns 260 mil moradores e que teria ainda mais moradores se os valadarenses que estão nos Estados Unidos voltassem. Do trem você visualiza o Pico do Ibituruna, com 1.123 metros de altura. Lá do alto os caras pulam de asa delta, principalmente no Campeonato Brasileiro de Voo Livre. 



Esse nome da cidade é uma homenagem a um governador do Estado de Minas Gerais, a cidade chama-se assim desde 1938, sendo que em 1910 a ferrovia chegou na cidade, mas a Vale comprou ela, a ferrovia, em 1942.




video


O Rio Doce dá pra ver de novo quando o trem sai da cidade, e você o verá ainda por horas. Vá percebendo a cor das águas, as pedras e ilhas no meio do leito do rio, os pássaros aterrizando do ar sobre o rio pra beber água. Cara, a poluição dos nossos rios é um crime, sabia?



A viagem continua em direção ao mar, sendo que lá pelas 14h52 chega-se à cidade de Tumiritinga. O trem já passa ai desde 1911, e Tumiritinga é uma palavra indígena que significa pequena cachoeira branca. É que em Tumiritinga o Rio Doce faz uma cachoeira, não dá pra ver a cachoeira do trem, pelo menos eu não vi.



Como o trem vai "descendo" o Estado de Minas Gerais rumo ao Estado do Espírito Santo, o lado esquerdo do trem costuma pegar muito sol porque, você sabe, o sol vem de leste para oeste no céu. Mas o trem, na parte executiva, tem janela com redutor de luminosidade, não atrapalha. Contudo, na hora de tirar foto, a foto costuma sair com um círculo no meio dela, reflexo do sol no vidro. A gente não vê o reflexo quando dispara a foto, mas a foto feita de dentro do trem pode sair com um halo de claridade.



Depois de 458 quilômetros de trem desde Belo Horizonte chegamos em Conselheiro Pena, agora são 15h30. Este "Conselheiro Pena" que deu nome à cidade é o mesmo "Afonso Pena" que dá nome a muitas avenidas e até o Aeroporto de Curitiba tem esse nome. Vou repetir agora um "causo" (como é que mineiro fala de acontecimentos pitorescos que acontecem na vida) que aconteceu nesta estação de trem de Conselheiro Pena.


Aconteceu quando foi inaugurado o sistema de alto-falantes da Estação de Conselheiro Pena. O agente da estação deveria anunciar a saída do trem e falar sobre o novo serviço e havia muita gente, políticos e autoridades, presentes. Nervoso, ele encostou o microfone na boca e acabou levando um choque. Com o susto, ele instintivamente gritou: 'Uai! Esse trem tá dando choque!'. Os passageiros apavorados abandonaram os carros e foi um custo explicar o que havia acontecido e fazer com que voltassem aos seus lugares (Do site oficial da CVRD).



Às 16h04 chega-se na Estação de Trem de Resplendor, MG. Você já passou em frente da Laticínios Capel e agora o trem faz uma breve parada. A foto da estação já foi mostrada. Uma foto linda do Rio Doce à noite na cidade de Resplendor, veja:



Uma delícia viajar de trem, a gente pode levantar-se da poltrona e caminhar por todo o trem, inclusive entrar na parte que não é executiva, lá as janelas abrem, são janelas de correr. Acontece que quanto um trem de carga cheio de minério passa no trilho ao lado do trilho do trem de passageiros, a poeira entra nos vagões. Resumo: a parte que é de vagão executivo não entra poeira, mas a parte "popular" é empoeirada!



Bom, o trem vai seguindo para Aimorés, a última cidade mineira, logo entraremos no Estado do Espírito Santo.Não houve nada de anormal na viagem mas eu achei essa foto acima com o trem da Vale submerso, enchente do Rio Doce em 1979, na cidade de Aimorés. O trem parou em Aimorés às 16h44. 



O legal dessa região de Aimorés/MG é que tem uma represa e o trem passa muito próximo da margem. Há umas montanhas com a pedra exposta, a da foto acima é chamada Pedra Lorena. No momento que passamos havia uns trabalhadores da Vale arrumando o outro trilho e assim o trem passou devagarzinho, deu pra ver a paisagem com tranquilidade, tiramos muitas fotos.



A primeira cidade capixaba é Baixo Guandu, o nome vem do rio que corta a cidade, Rio Guandu. A passagem de Aimorés para Baixo Guandu é rapidinha, o trem sai de Aimorés, vai passando ao lado do Rio Doce e uns cinco minutos de zona rural e já entra nos bairros de Baixo Guandu. A divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo é quando termina as casas de Aimorés, logo o campo que você avista na saída de Aimorés já é tudo pertencente ao Estado do Espírito Santo.



Aimorés é uma das cidades mais quentes de Minas Gerais mas há um outro fato curioso: é aqui que fica uma cratera de 9,6 quilômetros de diâmetro, a uns 5,5 quilômetros da cidade, na margem do Rio Doce. Ela foi provocada pela queda de um meteorito, ainda bem que isso foi a milhões de anos! 



Agora que entramos no Estado do Espírito Santo, faltam ainda umas 3 horas pra o nosso destino final, a estação de trem perto do mar! Bom, a próxima parada é em Itapina, distrito de Colatina/ES, chegamos nela às 17h19. Esta estação foi inaugurada em 1907 mas hoje é só um ponto de embarque e desembarque de passageiros.



A caminho de Colatina, é a cidade onde o trem vai cruzar o Rio Doce. Chegamos às 17h42 e a noitinha já tá chegando. O friozinho do ar condicionado não nos permitiu sentir o calor de lá fora, fez um dia ensolarado lindo. Espero que na praia continue assim, dias ensolarados lindos. Preste atenção às montanhas do Espírito Santo, que cenário formam!!!



A linha férrea não passa no centro de Colatina, sendo a estação chamada de "terceira estação" porque as duas anteriores foram desativadas por conta da mudança do traçado do trem. A foto abaixo mostra a Estação de Colatina, é compridinha essa área de embarque, mas lembre-se que são 14 vagões este trem de passageiros.



A próxima parada é no município de João Neiva, às 18h35. Comilança total nas poltronas, a gente trocando lanche, o que cada um trouxe é repartido, aquela falação, tirando fotos dentro do trem, indo ao banheiro, já não dá mais pra ver quase nada do lado de fora porque já é noite.



Esta estação acima é chamada de Estação Piraqueaçu, fica no município de João Neiva. Esses 905 quilômetros que não acabam! Mas a viagem ainda é gostosa, afinal são mais de 1 milhão de passageiros por ano, né? Além do que o trem de passageiros da Vale é o único que realiza viagens diárias e de longa distância no Brasil. De dia você vai ver (se voltar de trem para Belo Horizonte) mais dessas montanhas típicas do Espírito Santo, esta aqui em João Neiva.



Quero dizer a você que os horários mencionados são os que aconteceram nessa viagem. No site da Vale há os horários que ela faz (ou deveria fazer) a viagem. A próxima cidade é Ibiraçu, chegamos às 18h45. Esta foto abaixo é o trem fazendo uma curva em Ibiraçu/ES. O primeiro mosteiro zen budista do Brasil foi aberto aqui em Ibiraçu. Uma curiosidade da cidade é a variação topográfica: no município você pode estar a 50 metros do nível do mar e pode estar a uns 1.000 metros do nível do mar.



Depois de sairmos de Pau Gigante (este é o significado da palavra indígena Ibiraçu) vamos para a cidade de Fundão, lá chegando às 19h04. O nome da cidade é por causa do Rio Fundão, a cidade fica a uns 57 quilômetros do litoral,  mas o município alcança o mar, ou seja, Fundão cidade não tem praia mas o município sim, é banhado pelo Oceano Atlântico. Ainda não deu pra ver o mar mas está muito perto. É noite, estamos excitados com a iminente chegada.



Tem gente que prefere descer em Fundão e ficar em hotel, porque é uma cidade pequena e tranquila, do que chegar de noite em Cariacica e ter que ir para hotel lá, ou hotel em Vila Velha ou Vitória. Se dormir aqui no dia seguinte, de manhã, dá pra ir via ônibus ou de trem para o litoral. Cheio de mala, de noite, Cariacica cidade grande, perigoso? É um pouco perigoso, como em qualquer cidade grande, mas resolvemos não parar em Fundão.



Chegamos às 19h47 na Estação Pedro Nolasco e a gente não tinha a menor ideia de como fazer para chegar ao hotel que a gente tinha reservado no centro de Vitória. Um mundo de gente tudo descendo do trem ao mesmo tempo, um mundo de gente pegando taxi. Ficamos juntos parados num canto esperando o movimento baixar. Só depois pegamos um taxi rumo a Vitória. No dia seguinte pegamos outro taxi do hotel para a rodoviária rumo a Guarapari.



Praia do Morro lá vamos nós. Mas ficamos hospedados num hotel na Praia da Areia Preta, tudo bem dava para ir e voltar andando, passeando no comércio, conhecendo o lugar. Amei Guarapari, não fomos numa época de férias e portanto a cidade não estava apinhada e confusa de carros e gente. Tudo correu bem. No meio dos comes e bebes na praia resolvemos voltar de trem! Você sabe, mineiro em férias tudo é diversão!

Um comentário:

  1. Eu gostei muito de sua histora em Trem. Eu acho que na proxima ves que eu viage para BH eu voi ir em trem para a praia.

    ResponderExcluir