domingo, 24 de abril de 2011

Mister Spain

Quando morei em Belém eu conheci um filho de espanhol, foi a segunda vez que tive relacionamento com filho de espanhol, ou seja, o pai nasceu na Espanha e eles nasceram no Brasil, porém tiveram toda a influência que é ter um pai espanhol.


Eu achava que era a mesma coisa mas depois descobri que espanhol tem o sangue quente, são geniosos, possessivos, ciumentos, e realmente carinhosos e amorosos. Meu primeiro conhecido "espanhol" a família dele vinha do País Basco, era meu colega de faculdade de engenharia. Meu segundo conhecido "espanhol" foi esse de Belém.


Com meu colega de faculdade eu tinha um amor platônico, nunca fui pros finalmente embora eu tenha sido colega de trabalho dele por uns tempos e mesmo com a proximidade nunca teve a oportunidade, que eu queria que rolasse, mas não aconteceu. Nunca mais o vi desde 1984, quando ele voltou para o interior de São Paulo.


Senti a falta dele, Juan, porque era a pessoa mais próxima de mim na época, época em que eu era um gay enrustido. Bom, anos mais tarde eu conheci o Augusto, eu estava indo ao supermercado próximo do meu apartamento. Não conhecia ninguém no bairro, sabia que tinha um bar na esquina da rua e até tinha tomado uma cerveja ali antes, mas fiquei sozinho o tempo todo nesta tarde de domingo.


Mas quando estive bebendo cerveja, nesta tarde de domingo, vi uns rapazes jogando bola no meio da rua, era a única distração que tive no bar. Fui embora. No outro domingo eu tinha esquecido que tinha o jogo na rua e estava indo para o supermercado, que fica no próximo quarteirão onde os caras estavam jogando bola. Eu fui seguindo pela calçada indo pro supermercado.


Num certo momento a bola veio na minha direção, não tinha como evitar, ela vinha na minha direção e eu quase entrei em pânico. Nunca joguei futebol, por isso não sei dar chute em bola. Eu não poderia abaixar e arriscar pegar com as mãos a bola em movimento, o certo era eu chutar a bola quando ela passasse perto de mim. Eu ia chamar a atenção se eu pegasse a bola com a mão.


Pedi por tudo o que é mais sagrado para a bola não vir na minha direção mas a bola insistia em vir e ai eu parei e fiquei olhando bem pra bola, mirando onde chutar, chutei e errei, a bola passou por mim num maior frango e eu fiquei morto de vergonha. Então a bola parou num canto e um cara, o Augusto (fiquei sabendo o nome dele depois) veio pegar a bola. Quando passou por mim ele me encarou.


Eu nem queria olhar o cara vindo na minha direção mas eu olhei porque eu fiquei com receio dele me xingar de viado ou qualquer outro palavrão. Mas ele apenas sorriu. Eu fiquei maravilhado com o sorriso dele! E ele percebeu isso! Na volta do supermercado eles ainda estavam jogando bola mas eu passei na calçada a passos largos, como em fuga. 


Num próximo domingo lá estava eu tomando a minha CERPA e eis que o Augusto apareceu e veio conversar comigo. Depois ele foi comigo até o meu apartamento, chupei a rola dele, linda e torta. Seus olhos verdes nunca saíram da minha lembrança. Depois disso nunca transamos novamente, que pena, mas saímos para a região da Rua Nazaré pra uns comes e bebes. Ele era um amor, ainda é, o meu espanholzinho lindo.



Um comentário:

  1. O texto foi ótimo, o mais não consegui acessar.
    Pauleira. Já passei por essa vergonha várias vezes, contudo nunca fui premiado com um espanhol depois. Você tem muita sorte. Vai fundo!

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