domingo, 20 de fevereiro de 2011

Homofobia X gay reprimido

Homofobia: Preconceito contra os homossexuais; ódio aos homossexuais, muitas vezes levando à violência física. O termo é utilizado para identificar o ódio, a aversão ou a discriminação, consciente ou inconsciente, de uma pessoa contra homossexuais e, consequentemente, contra a homossexualidade, e que pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação contra homossexuais. O termo foi criado recentemente, em 1971, pelo psicólogo George Weinberg, significando medo para com os iguais (homo é latim, significa homem; fobia é grego, significa medo).

A homofobia é o comportamento no qual algumas pessoas, homens ou mulheres, repudiam as pessoas homossexuais pelo fato de agirem diferente da suposta norma sexual, ou seja, não serem heteroxessuais. Porém, vou abordar outro tipo de homofobia, que na minha experiência de vida de 54 anos de idade, eu percebi ser mais comum de deparar com ela: a homofobia praticada por gays reprimidos, enrustidos, no armário. Para tanto recorri a um artigo, no fomato PDF, publicado em agosto de 1996, pela Universidade da Geórgia intitulado "A homofobia está associada com a excitação homossexual?" O texto aborda como alguns homossexuais que escondem a sua homossexualidade tornam-se homofóbicos.

É uma verdade incontestável que o gay que assume a sua condição de homossexual evita uma série de inconvenientes e complicações psicológicas, emocionais e físicas mas também é certo que "sair do armário" pode se tornar um problema a mais na vida do gay, principalmente quando ele ainda tem dependência financeira em relação à família. Bem como quando ele ainda tem um ambiente social, seu trabalho ou grupos de amigos na escola, igreja, esportes, etc que não entendem ou aceitam bem uma pessoa gay.

Uma vez que o cara assumidamente gay pode vir a se deparar com vários aborrecimentos na vida, alguns gays enrustidos buscam uma série de artifícios para ocultar dos outros, e até de si mesmo, a sua condição de ser um gay. Um dos artifícios usados pelos gays reprimidos é se associarem a grupos de "homens normais" para que, ficando no meio deles, seja tido como um heterossexual, e assim fica muito difícil alguém achar que ele é um gay.

Ao pertencerem ao grupo "dos homens normais" o gay enrustido pode recorrer a técnicas homofóbicas sutis como xingar gays ou contar piadas sobre gays. Tanto faz se esse gay reprimido faz esses xingamentos e piadas somente na presença dos "homens normais" ou se ele faz xingamentos e piadas na presença de gays. Não importa, é homofobia do mesmo jeito, o importante é que ele comportando-se com repúdio aos gays ele se coloca do lado dos "homens normais" e, assim, nunca levantará a mais leve suspeita de que ele é um gay reprimido.


No começo o gay reprimido é um homofóbico sem utilização de violência para com os gays. O problema é que um dia a hostilidade contra os gays vai se materializar em agressão de fato, é um processo natural de canalização da homossexualidade reprimida. As atitudes já não se contentam em ser verbalmente hostis, é preciso ser mostrada pela força. Isso acontece porque a situação de repressão do desejo homossexual exige que seja utilizada mais e mais energia para manter secreto o desejo gay. Há, então, uma relação entre a força da violência praticada internamente com a violência praticada externamente. De algum modo a violência física contra gays evita que ela seja praticada contra a própria pessoa, então, ele ataca o gay e por algum tempo seu medo de que descubram que ele é gay fica enfraquecido.


Muito homens homofóbicos que abrigam secretamente desejos homossexuais tentam enganar o mundo aprendendo a xingar e ridiculizar os gays e depois de um certo tempo começam a agir com violência contra os gays quando estes se aproximam dele. A simples proximidade ou exposição na mídia de um gay já é uma ameaça ao seu segredo. Uma das práticas de homofobia por parte de gays reprimidos é não só ficar perto de "homens normais" mas de procurar fazer os gays ficarem no seu queto, como artistas, cabeleireiros, modistas, enfermeiros (nada de errado com essas profissões, lógico) porque ao entrarem nas atividades dos "homens normais" como professores, médicos, advogados os gays se tornam uma ameaça e, portanto, "merecem" ser atacados.


Vou comentar os termos do artigo citado. Este relatório evidencia que  jovens homofóbicos do sexo masculino podem ter secretamente desejos gay reprimidos.  Foram pesquisados 64 heterossexuais com idade próxima dos 20 anos de idade. Dividiu-se os jovens em dois grupos após aplicarem um questionário onde as respostas dadas pelos mesmos indicavam o quanto eles tinham de aversão aos homossexuais. Ficou um grupo de "homens não-homofóbicos" e um grupo de "homens homofóbicos" com base em seus escores de medida de aversão aos  homossexuais.

Em seguida os participantes foram colocados individualmente em uma sala para assistirem a vídeos de quatro minutos de pornografia. Havia a exibição de vídeos de pornô com homens trepando em mulher, contendo cenas de boquete e meteção.  Havia a exibição também de vídeos de mulheres transando, inclusive cenas onde elas lambiam a vagina uma da outra e ficavam relando seus seios e outras partes do corpo uma na outra. E ainda vídeos de pornô gay com cenas com boquete e sexo anal. A intenção dos pesquisadores era avaliar a reação de cada participante ao bem-estar provocado pelo estímulo sexual que sentia e também o seu grau de ereção peniana.


Ah, para medir o grau de ereção peniana cada participante concordou com a instalação ao redor do seu pênis de um pletismógrafo, que é um aparelho de borracha contendo dentro um sensor. Este dispositivo pletismógrafo consegue perceber a ocorrência de uma deformação circunferencial no pênis, e, portanto, indicada se os estímulos visuais causam um estímulo no pênis. Desde uma modificação na situação do pênis mais leve, a meia-bomba, até uma modificação maior, pela ereção total.


O resultado você consegue imaginar qual foi? Bom, durante a exibição de vídeos de sexo heterossexual e de sexo lésbico tanto os homens do grupo não-homofóbico quanto do grupo homofóbico mostrou inchaço no pênis. Apenas os homens homofóbicos mostraram um enorme aumento na circunferência peniana em resposta à pornografia gay masculina. Os homens homofóbicos reagiram ao vídeo pornô grau com elevado nível de excitação sexual e isto foi um indicativo de que eram gays reprimidos.


A conclusão a que se chegou foi que há uma relação entre violência contra gays e desejo gay reprimido.Ser homofóbico está (também) ligado a desejos homossexuais recalcados que fazem com que a pessoa tenha uma maior predisposição para usar a violência contra gays, simplesmente porque eles são assumidamente gays. Os homens homofóbicos basicamente fustigam gays que eles até não conhecem e nunca viram simplesmente pelo fato de que estes aparentam ser gays. O outro homem ser um gay, ou parecer como tal, dá  a eles a razão para feri-los.


A violência do homofóbico é usada para reprimir e eliminar o gay de vista porque o gay está incomodando e enfraquecendo internamente a sua atuação, a sua representação teatral, de não ser um gay. Não seria necessário nenhuma homofobia se o gay reprimido não visse o gay assumido como um incômodo e um perigo. Se a pessoa não pode nem ver, ouvir ou ficar perto de um gay que saiu do armário, vai procurar tirá-lo do mundo, do mundo que ele acha que é confortável e que não acarreta perigo ao seu segredo, a sua homossexualidade.


Você leu algo sobre homofobia relacionado a repressão de desejos gays por homossexuais reprimidos. Há outros tipos de homofobia, como a vinculada a crenças religiosas, por exemplo, mas eu quis abordar esse tipo específico, como falei, porque foi o que mais eu me deparei na minha vida (gays homofóbicos). Eu acredito, falo por mim, pelo que sei, que as religiões, pelo menos as que são adotadas pela maioria dos brasileiros, são homofóbicas, em maior ou menor grau. Este tipo de homofobia eu não vou e nem quero abordar. Sabe por quê? Porque religião para algumas pessoas é algo muito mais importante e necessário do que "o resto". Então, tá, cada um na sua! Por favor não comente sobre religião no meu blog!!!
Make Glitter Text

Um comentário:

  1. aos 13 anos me masturbava pensando em homens,hoje aos 55 anos continuo no armário e nunca fui agressivo com um gay assumido nem mesmo com um olhar de censura, pelo contrario eu os admiro e respeito pela coragem que nunca tive,infelizmente hoje me arrependo de ter agido como um covarde comigo mesmo,enfim vivo no armário e sou muito infeliz.um abração e desculpe meus erros de português.

    ResponderExcluir