segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O carinho se manifesta de várias formas

Eu nasci em 1956 e vou fazer 55 anos em 2011. Tenho aqui em casa roupas e sapatos que comprei faz uns 20 anos. Sou do tipo de cara que compra uma coisa e cuida dela, por exemplo, eu mantinha no armário sapatos, calças e camisas, sem uso mas em bom estado. Tinha calça jeans que eu comprei lá pelos idos de 1990 e que ainda usava, raramente, mas usava. Os sapatos de bico redondo faz tempo que parei de usar porque a moda agora é sapato de bico quadrado, e os guardei todos engraxados, com o salto novo porque mandei trocar antes de guardar. 


A questão aqui que estou levantando é que tem cara que entra no messenger e quando digo que tenho 54 anos diz que eu sou velho, papi, tio. Talvez porque eu tenha a idade do pai deles, eles acreditando assim que eu me pareça mental ou fisicamente com o pai deles. Então desligam a janela do messenger, puffff! Evidentemente que gente assim eu bloqueio e excluo do meu messenger. E olha que se a pessoa me conhecesse pessoalmente, ou me visse na cam, perceberia que eu tenho mais idade mas não estou acabado. É uma pena que ter mais idade para certos tipos de pessoas é motivo para elas agirem com ignorância e desfaçatez.


Realmente tem gente mais velha que é um saco, chatas, rabugentas, sistemas fechados. Não é o meu caso, com certeza. Os gays que envelheceram psicologicamente e não se adequaram aos novos tempos provavelmente entram no messenger e são rejeitados. Os gays mais velhos que entram no messenger querendo mostrar a bagagem positiva que acumularam na vida e que são rejeitados, pelos mais novos que são a maior faixa etária na presente web, estes deveriam ter a chance de compartilharem o que viveram. Um aviso aos gays mais novos: ninguém envelhece realmente por dentro, o corpo, este sim, envelhece. Por mais que o tempo passe por dentro a gente sempre fica e se mantém jovem porque alma não envelhece.


A primeira vez que ouvi o Jimmy Somerville foi um tempo depois que cheguei a Belo Horizonte, final da década de 1980. Logo, faz quase 30 anos! Estava falando de velhice porque eu queria comentar hoje sobre o Jimmy Somerville e como ele fez sucesso na época em que eu era mais jovem, muitos gays jovens de hoje, talvez não tenham nunca ouvido falar ou escutado este cantor na vida. O que é uma pena! Taí talvez um dos motivos para "aguentar" caras mais velhos como eu, a bagagem que a gente tem (ou deveria ter) sobre as coisas gays que aconteceram no mundo, e que a gente pode falar delas aqui neste blog e em vários outros canais na Internet.


Para muitos gays só existe Madonna, Beyoncé, etc o que é lamentável. O estilo de vida gay que a gente conhece hoje fou construído com muita luta por pessoas maravilhosas como o Jimmy Somerville. Procure conhecer mais sobre esse cantor e você descobrirá uma pessoa talentosa, sensível, revolucionária. Não fique só de músicas rave e pop-rock que tocam nas rádios, vá além, vá ao passado, pessoas mais velhas tem muito a te oferecer. Não acho que o Jimmy Somerville seja um velho, não quis dizer isso, quis dizer que ele é de outra geração, a minha geração, quando ser gay era muito difícil, mesmo perigoso. Ele é um ícone da música gay, mas é mais que isso, é um educador, um orientador, um lutador na comundiade gay. Não quero que você passe por esta vida sem saber quem é Jimmy Somerville.


Aqui tem um edifício, acredito que seja o mais alto da cidade, o JK, construído nos anos 1960, o arquiteto: Oscar Niemeyer. Eu morava nessa ocasião em uma pensão no centro da cidade, perto do meu trabalho, e também perto da boite Troisième, que não existe mais. Eu gostava muito mesmo de dançar e como a boite era mais perto da pensão que ficava na Savassi, eu ia todo o fim-de-semana. Uma vez conheci um cara dentro da boite e conversamos, demos uns amaços. Resolvemos continuar o relacionamento e ele me levou para o JK, ai então eu entrei pela primeira vez no edifício. É um prédio, pode-se dizer no mínimo, diferente. Aliás, como tudo o que Niemeyer faz. As duas irmãs dele estavam em casa e o cara, as irmãs e eu ficamos na sala ouvindo disco de vinil do Communards e conversando. Foi ótimo.


Desde essa época eu gosto do trabalho de Jimmy Somerville, ainda bem que o tempo vai passando e ele continua cantando e o seu brilhantismo continua. O dance-pop dos anos 1980 é eterno, aqui em Belo Horizonte tem casas noturnas que designam uma certa noite para os flashbacks, uma ótima ideia para quem viveu ou gosta das músicas daquela época ouvir e dançar mui-iiii-to. Uma coisa que percebe-se é que as músicas daquela época são superdançantes, envolventes, alegres, cheias de energia boa. Enquanto muitos cantores dos anos 1980 e anos seguintes, que eram gays, não queriam que o público soubesse isso, Jimmy Somerville sempre assumiu ser gay. Já na banda Bronski Beat em 1986 ele assumia-se, depois na dupla The Communards também assumia-se gay. Sempre foi coerente, sincero, honesto com o mundo.



Não vou colocar links sobre a vida e a biografia e a discografia do Jimmy Somerville. Peço a você que vá ao You Tube e digite o nome dele e você vai achar muita coisa. Pra começar, se você ainda não se convenceu da necessidade de ampliar a sua cultura gay, vá ao site oficial de Jimmy Somerville. Se você não sabe inglês dou a dica de você  baixar no seu computador o Google Chrome porque este navegador, quando a página abre, percebe que a página está em inglês e te pergunta se você quer que faça a tradução para o português. O Google Chrome é dado de graça, eu usava o Internet Explorer, depois o Mozilla Firefox e agora só uso o Google Chrome, você pode baixar no Google, é um excelente navegador, você que é um usuário de Internet de nível normal, isto é, faz visitas na Internet por lazer, vai gostar.


Esta música no ritmo de reggae é dito que o Jimmy Somerville gravou em homenagem aos gays que morrem na Jamaica, um país considerado homofóbico. Lá na Jamaica fuma-se maconha numa boa mas lá os gays não são tolerados, irônico isso, não? Bom, pra terminar, eu doei as roupas e sapatos que tinha guardado faz anos para as pessoas vítimas daquela calamidade na serra fluminense. Levei até a Cruz Vermelha e acredito que já estejam servindo em alguém. A pessoa, ou pessoas, homens porque meus sapatos e roupas são masculinos, jamais saberão que são roupas e sapatos de um gay. É uma forma de eu dar meu carinho para outro homem, esta pessoa que passou por aquele horrível trauma das chuvas agora tem algo que era meu. Essas roupas e sapatos são tão gays como eu sou gay, pois eram meus. Se a pessoa que estiver usando for homofóbica, espero que o carinho da minha doação a faça ser um ser humano melhor. Todo mundo é capaz de dar algo de bom para o mundo!






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