sábado, 27 de novembro de 2010

Poesias gay

Gostaria de sentir-me mais leve e abençoado e com um toque de romantismo e paixão. Acho que poesias poderiam trazer-me essas sensações tão desejadas senão necessárias neste noite de sábado. Encontrei algumas poesias de autores contemporâneos do Irã. Você viu meu amigo foi traduzida por mim do inglês para o português pela leitura do livro Modern Gay Persian Poetry About Love. O autor chama-se Dr. Ali. A poesia foi escrita em 7 de novembro de 2004.

VOCÊ VIU MEU AMIGO?

Como eu poderia saber?
Que este amor me tornaria tão insano
Estragaria minha imagem para além do que me reconheço
Arruinaria minha existência além do que posso reparar.

Como eu poderia saber?
Que meus olhos ficariam cegos
Meu coração seria um inferno
Minhas lágrimas encheriam um oceano.

Como eu poderia saber?
Que me tornaria um bêbado velho num bar de terceira
Um andarilho perdido em cidades desconhecidas
Um mendigo sem lar pelas ruas.

Perguntando a todos que passam
Você viu meu amigo?



NÃO ME CHAME DE SEU AMOR

Você pode estimular a minha mente?
Não apenas o meu pau
Você tomará cuidado de mim?
Se eu ficar doente.

Você achará tempo para nós dois?
Porque qualidade de tempo é algo importante
Ou eu passarei solitário o meu tempo
Porque você precisa de espaço.

Eu não quero ser a sua vida
Apenas um alegre acréscimo
Chegando juntos como apenas um
Pode isto acontecer como a nossa missão.

Podemos falar sobre os nossos medos?
Nossos propósitos
Nossos sonhos
Podemos chorar juntos?
Se não pudermos, tudo bem
Mas não me chame de seu amor.

[Esta poesia originalmente em inglês foi traduzida livremente para o português, por mim. Seu autor é Mose Hardin e apresentou-a em seu livro Namaste Mose - A Collection Of Poetry Of Gay Love And Life]




REZA

Querido Deus
Gays não são bobos
Eles não são espertos
Eles são só gays
Não tão jovem e não realizado
Um dia devo morrer.

Querido Deus
Eu espero na pós-morte
Uma zona de compensação
Uma zona de redenção
Onde sacio desejos.

Querido Deus
Os bobos de verdade terão suas calças abaixadas
Eles mostram o que eles têm,
mas eles não sabem o que fazer.

Querido Deus
Você dominaria muitos garotos de atitudes irrepreensível
Os que passarm a vida toda em lutas e bocetas
Agora eles se calam.

Querido Deus
Você os colocaria em linha
Em uma gaiola terrível, o perdão é sexo oral
Pela minha e única boca
Em todo o vale da morte.

Querido Deus
Todos os gostos são bons no final
Passam os garotos maus e ruins
E eu adianto
Eu confio na morte.

[Poema de Hugo Guimarães, fevereiro de 2007, presente em seu livro Poesia gay underground: história e glória]


PURO

Seus olhos são tão verdadeiros e leais
E calmos,
Como os de um cachorro
Eles atiram-me seu inocente sorriso
E lavam a imundície da percepção dos meus olhos
como o primeiro sorriso de um bebê.

Ele ri com a pureza das crianças
Sem limite
Livre
Rindo com ecos como os de meninos,
Ele derrete o meu coração
E ele sussurra -
Na sua voz mais doce
"Eu te amo!"

[Esta poesia é de Michael W. Rafuse, Jr. de 25 de junho de 2008] 


Tenho que parar por aqui, meu companheiro quer dormir. Está tarde. Passou aqui no quarto onde está o computador e me perguntou se quero comer peixe neste domingo, e se eu quero que ele faça macarrão, daquele jeito que ele faz, com camadas de queijo e também queijo por cima que ele leva ao forno para gratinar. Disse para que le faça se quiser, mas eu não gostaria de comer nada disso. Para ele não se preocupar, eu como o que tiver. Vou finalizar com um poema que é declamado no filme Quatro casamentos e um funeral, o poema chama-se Funeral Blues, escrito em 1936 por Wystan Hugh 
Auden. No filme o poema é declamado por um gay para o seu companheiro morto.



Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Evitem o latido do cachorro com um osso suculento,
Silenciem os pianos e com tambores lentos
Tragam o caixão, deixem que o luto chore.
Deixem que os aviões voem em círculos altos
Riscando no céu a mensagem Ele Está Morto,
Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão,
Deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Minha semana útil e meu domingo inerte,
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção, meu papo,
Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado.
As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas;
Empacotem a lua e façam o sol desmanchar;
Esvaziem o oceano e varram as florestas;
Pois agora nada mais de bom nos resta.




Talvez você não considere uma música como um poema, mas saiba que pode ser que originalmente era um poema e foi posteriormente musicado. Não sei se foi o caso dessa música "Meninos e Meninas" de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.

Meninos E Meninas

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui.

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas.

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer.

Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas.


Não resisto, embora deva terminar por aqui, há um poema escrito originalmente em francês que gostaria que você leia-o, sim? O poema de Tit Jojo 59 chama-se "Qui je suis" que traduzo livremente para o português. O original em francês tinha erros de ortografia e, assim, permiti-me, mesmo usando dicionários e sites de dúvidas da língua francesa, alterar as frases para que tivessem sentido na nossa língua.

QUEM SOU EU


Há muito estou me procurando
Agora eu encontrei-me
Sim, eu sou gay
E nunca vou mudar
Eles podem tentar me mudar
Mas isso nunca acontecerá
Eles não entendem
Que eu sou feliz como sou
Eu enfim vivo
E estou muito satisfeito
Eu amo os homens
Com ternura
Eu sou um homem
E eu quero essa diferença
Sim, eu posso amá-los
E não posso evitar
O amor verdadeiro
Mais confortável
O amor sem espaço
Não tem vida
O amor verdadeiro
Eu o procurarei sempre
E o acharei um dia
E eu conservarei este amor
Um amor gay
Uma possibilidade
Uma realidade
Que pode existir
Isso é o que eu sinto
E tem gente que acha isso muito engraçado
E não compreende
Que eu sou como sou
As opiniões mudam
Mudam como eles mesmos mudam
Eu não sou um anjo
Mas eu sou feliz.




Nenhum comentário:

Postar um comentário