sábado, 16 de outubro de 2010

Ayahuasca

Ayahuasca (pronuncia-se Aiuasca) é uma bebida ritual e um dos significados da palavra é "cipó dos espíritos". Nas cerimônias é tomada na forma de chá que contém a dimetiltriptamina (DMT) que causa efeitos psicodélicos. Logo o DMT é uma droga alucinogénica proveniente de produtos naturais, no caso, um cipó.





O DMT contido no "Chá de Santo Daime", outro nome para a Ayahuasca causa efeitos durante 10 a 40 minutos, podendo-se sentir alguns efeitos menores ainda por uma ou duas horas depois da ingestão. Logo, o DMT é um tipo de substância de efeito rápido e com curta duração. Após 5 minutos de ser administrada ocorre dilatação das pupilas, bater do coração muito rápido, um aumento denotado da pressão sanguínea e uma série de pertubações que normalmente persistem durante a experiência.





O clímax do efeito é atingido cerca de 10 a 15 minutos depois de administrada, com fortes alucinações com os olhos fechados ou abertos. Causa enfraquecimento da concentração é dificuldade de expressar os pensamentos. Ocorrem algumas mudanças de humor, transitando normalmente para um estado de euforia e riso sem motivo, mas também são conhecidos casos em que ocorreu ataques de ansiedade e estado de pânico.





O uso frequente não parece conduzir a dependências quer físicas, quer psicológicas. Contudo certos derivados do DMT, obtidos por intervenção química em laboratório, produzem efeitos físicos e psicológicos peculiares, como por exemplo a 5-metil-DMT que é uma droga 4 vezes mais fortes que o da DMT contido no chá de Ayahuasca e que não provoca alucinações visuais. Alguns derivados obtidos em laboratório não produzem efeitos se ingeridos, são ativos apenas por inalação ou por injecção.





Estou em uma rua com casas simples, populares e quando o carro parou vi uma luz na janela rente à calçada, semiberta e iluminada com a cortina de um tecido fino e esvoaçante sendo agitada pelo ventinho das 8 horas da noite desta quinta-feira. Bato a porta de trás do carro enquanto meus dois acompanhantes saem pelas demais e vou até a um portão de pedestres que está somente encostado. Abro o portão do Centro Espírita e no começo do lote há um pequeno jardim com uma fogueira acesa e três rapazes usando branco esquentando-se no fogo. Falo alto, nem tanto já que não estou tão longe assim, se posso entrar, eles dizem que sim, mas continuam próximos da fogueira. Entramos e percebemos que há uma passagem desde o começo do lote até o final, e casas de ambos os lados dessa passagem.





Vamos andando, o terreno tem uma pequena inclinação de modo que a gente tem que ir subindo pelo caminho acimentado. As casas estão fechadas e não tem ninguém para dar informação aonde é o local da reunião. Mas uma moça aparece e tem jeito de ser do lugar, perguntamos se é aqui mesmo o Centro Espírita e ela diz que sim e nos dá boas vindas. Perguntamos se chegamos na hora e fomos informados que ainda está um pouco cedo, mas que podemos andar por ai e achar um lugar pra sentar, se quisermos. Minha acompanhante (irmã do meu companheiro) diz para a moça que um amigo já veio ao Centro Espírita e foi ele que indicou. Ela diz que bom e vê o Pai de Santo, que é o dono do terreno e chefe das atividades, e nos apresenta a ele.





Seu nome verdadeiro é dito (por motivos óbvios não vou publicar aqui...), além de nos informar sobre o início do Centro, na verdade Fraternidade, os objetivos e as regras. Foi muito atencioso e simpático, enfim, uma pessoa "normal", nada diferente de outra qualquer que a gente encontra e bate-papo. Só diferenciava por estar usando branco, calça, camisão e um gorro na cabeça, tudo branco.





Ficamos mais à vontade, você sabe que esses negócios de espíritos é complicado, mesmo que nós três não temos religião, digo, não nos consideramos ateus mas não somos nem católicos, nem evangélicos, nem umbandista, nem nada. Só acreditamos que existe um ser superior que cuida do universo. E respeitamos todas as formas de religiosidade. O que nos levou mesmo a este lugar foi a vontade de experimentar a Ayahuasca, o chá de Santo Daime. Foi juntando gente no salão onde sentamos bem próximo à entrada para sair de fininho sem chamar muita a atenção, caso precisasse... notamos que a maioria era mesmo da Fraternidade, os visitantes eram poucos. Enfim, começou a atividade, quem queria beber o chá se levantava e ia até uma mesa onde uma vela estava acesa, nós não bebemos, quem bebeu principalmente eram as pessoas que logo mais iam entrar em transe e ficar se movimentando (dançando?) no salão.





Passamos umas duas horas sentados assistindo os membros da Fraternidade em transe, algumas vezes os membros com "espíritos" vinham até nós e no meu caso a mulher deu umas tremedeiras, meu companheiro me disse depois que eu devia estar bem carregado porque a mulher "fez uma cara!", bom, saiu coisa ruim de mim então tá bom demais... Enquanto a reunião ia avançando o Pai de Santo por vezes dizia que era para manter a mente elevada pensando no bem e em Deus, que aqui era um lugar do bem. Nós três fomos convidados, separadamente, a tomar passes, eu gosto de tomar passes. Mas dificilmente acho que eu sou do tipo que um dia um "espírito" vai entrar no meu corpo e eu ficar dançando em transe, sou do tipo muito racional, ou em outras palavras, tenho pouca, quase nenhuma fé nessas experiências que eu chamo "do tipo mágicas". Mas foi tudo bom, mal não fez.





Não esperamos terminar, resolvemos ir embora lá pelas 11 da noite, como fomos avisados de que era para quando chegar perto do portão de saída, caminhar de costas, nós três nos viramos e fomos dando passos cuidadosos de costas, até chegar à calçada. Entramos no carro e enquanto nos ajeitávamos nos nossos lugares, comentamos sobre a experiência de ir ao um Centro Espírita, do tipo ecumênico. Em geral, ficou em nós três uma sensação de que havia algo de show, de caricato, de ilusão nesse tipo de religiosidade. O que não quer dizer que não tem valor! Lógico e certo que tem seu valor!!! Mas que para nós três não produz efeitos, mudanças, melhoras significativas. Eu disse pros meus queridos no carro que eu tinha era inveja sim de pessoas que tem fé e que se permitem ter uma experiência espiritual, seja em qualquer tipo de Igreja. Mas como tudo muda na vida, não quer dizer que eu serei sempre assim desconfiado e indiferente às coisas do "mundo espiritual", posso mudar lógico. Só não sei se será por meio da Fraternidade...


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