terça-feira, 12 de outubro de 2010

As Escadas dos Níveis de Amor

Á toa, peguei um livro de manhã para ler, só dei uma olhada. Sabe quando você abre um livro em qualquer página e espera ingenuamente que uma mensagem surja do nada, revelando algo que você precisa saber e que vai te dar um rumo na vida? Foi exatamente isso que fiz, peguei um livro que eu tinha dado de presente ao meu companheiro e o abri à revelia.


O que li até que me fez crer que essa "técnica" dá certo: "As Escadas dos Níveis de Amor", na página 78 do livro O Corpo e Seus Símbolos, de Jean-Yves Leloup. É um livro da linha editorial de auto-ajuda, com apenas 131 páginas, fácil de ler. Este capítulo trata do entendimento ou significados da palavra e do sentimento de amor. A gente tem uma noção de que amor é apenas um único sentimento, porém o texto nos esclarece que não é bem assim. Há várias formas de amar.


Em primeiro lugar o autor retoma a categorização dada pelos gregos, isto é, os gregos tinha diferentes palavras para falar dos tipos, ou etapas, ou escadas, do amor. A primeira palavra para amor era PORNÉIA (a palavra pornografia deriva dessa palavra...) que é o amor do tipo faminto e devorador. É quando a pessoa para manter-se necessita de nutrir-se do outro, e para tanto "come-o". Na minha compreensão acho que vem daí a fala "vou comer você" quando o ativo quer foder ou quando o passivo diz "quero que você me coma".


Este tipo de amor é então claramente do tipo possessivo, podendo a se tornar patológico, ou seja, passar a ser um tipo de sentimento sexual doentio. Os gregos chamam esse tipo de amor por PATHÉ (inclusive dessa palavra deriva a palavra patologia...) de modo que não se trata mais de um amor devorador mas um amor de posse e de dependência, onde há um ciúme excessivo que torna a relação um inferno. Esse tipo de amor é dependência e necessidade, por ai você pode entender isso como o que sente um viciado em algum tipo de droga, só que nesse caso a droga que a pessoa necessita e depende é o amor.


A palavra ÉROS é dada para o amor onde o desejo é o aspecto mais forte, mais preponderante. A palavra erótismo deriva de Eros, e embora hoje em dia signifique o mesmo que Pornéia, originalmente na Grécia Antiga designava o tipo de sentimento de amor no qual a pessoa se sente maravilhada pela outra. O sexo quando feito sob essa sensação faz com que a pessoa sinta ter asas quando transa, percebe haver leveza, beleza e maravilhamento com o outro cara. É tipo de sexo que dá asas.


Quando o nível de amor pelo outro já passou da fase da "fome", da necessidade e levou a gente a transar e se sentir "com asas", a pessoa evolui no amor e começa a sentir que há paz e harmonia na transa e na relação. Esse tipo de amor chama-se STORGUÉ. Não se está mais no nível da necessidade, da paixão,do desejo. Esse tipo de amor provoca como se fosse uma cura em quem o sente. Acho que eu ainda não senti esse amor porque eu sempre quero transar de novo, acho que ainda não me curei... talvez devido a não entrado na tal harmonia.


PHILIA (a palavra filosofia deriva daí) é a amor dedicado a toda a humanidade, bem como aos pais e irmãos e amigos (amizade). Quem sente esse amor inevitavelmente sente respeito pelos outros, está aberto para confiar e formar parcerias e alianças. Quando há um grande devotamento ao próximo por força de uma grande generosidade de caráter, este amor é melhor chamado por ÉNNOIA. Acho que eu vi isso uma vez, dois namorados, um deles soropositivo, era o ativo. O passivo me dizia que jamais pensou em abandonar ele, que ia ficar ao lado dele, para o passivo era como se o ativo não tivesse nada, embora ambos se cuidassem para não infectar de HIV o passivo. Eu, particularmente, acho que meu namorado tem esse tipo de amor, porque eu "pulo a cerca" e ele continua me amando como se fosse o primeiro dia...


O amor vai subindo degraus e alcança o nível de KHÁRIS, quando o cara sente gratidão pela existência do outro. É um grande presente que recebeu, esse presente é o outro cara existir e receber tantas doações por parte do outro. Quando acontece o sexo, a transa é como se fosse um presente, e daí há um reconhecimento ao outro por estar fazendo sua parte tão lindamente, e dá vontade de agradecer ao outro por isso. O foco desse amor é a gratidão. Na doação, um dá o pau e o outro a bunda para o outro, e há o sentimento de gratidão por isso.


Finalmente, os gregos designavam ÁGAPE para o nível mais alto da "escada" do amor. Ama-se gratuitamente, sem querer nada. Não é aquele tipo de amor que se ama para acumular ou suprir na gente algo que falta, mas um amor abundante que flui, quanto mais há transa entre os caras, mais há a abundância, mais há plenitude. Eu uma vez li uma frase que eu acho que cabe bem aqui: "A única coisa que não nos podem tirar é o que a gente dá."


O mais importante é o amor! Não deixe que você perca o seu brilho ao achar que o único amor que o homossexual tem direito é o de transar sexo por sexo. Você pode sim, ter uma foda só de sexo, eu gosto e até preciso de vez em quando só ter o amor-sexo, mas o fato é que você não é só homossexual, é sim uma pessoa que vive a condição de homossexual. Também é homossexual, mas não é só isso o que você é. Logo, tem direito a usufluir as demais formar de amor. Você merece! Abraços.

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