domingo, 15 de agosto de 2010

Com saúde não se brinca

Em julho de 2010 eu resolvi operar uma hérnia na virilha que apareceu em maio devido, acredito, a eu ter me esforçado muito em levantar e fazer andar o Thor, meu cachorro dálmata prejudicado pela idade. Ele não se levantava nem pra fazer xixi e cocô, tinha que de manhã ir levantar ele da caminha e fazê-lo ir dar uma volta no jardim. Às vezes, não dava tempo, quando eu chegava lá na caminha dele já tinha se molhado todo e até mesmo feito cocô. Ele ficava desconcertado por não ter dado tempo, me olhava todo sem jeito...



É o seguinte: em maio eu achei que meu testículo tinha subido e permanecido fora de lugar, na região dos pelos púbicos. Eu empurrei enquanto tomava banho e não me importei porque às vezes minha bola sobe mesmo se fico com as pernas muito juntas, entende? Não liguei e deixei pra lá. Quando bato uma punheta acontece da bola sair do saco e se alojar na região dos pelos pois nos golpes da bronha acerta as bolas e é normal que elas reajam. Para mim era o de sempre, não pensei que era uma doença aparecendo. Sou tão burro! A bola sobe mas depois descia, então como era que ficava um caroço o tempo todo e não era para se estranhar???




Ai então ficava sempre com um volume arredondado na virilha e eu me toquei: isso não tá normal. Entrei na Internet e descobri que ficar com um caroço na virilha uma das razões é ter uma infecção que faz com que o sistema linfático faça acontecer um caroço em alguma região do corpo, normalmente no pescoço e na virilha. É porque a linfa acumula numa região do corpo as impurezas do corpo e aumentando a produção de anticorpos faz a região ficar com uma protuberância. Pensei comigo: é só o meu corpo atacando algum vírus, bactéria, sei lá, logo isso vai passar. Vou tomar mais vitamina C e comer coisas mais saudáveis e logo esse calombo na virilha passará.




Não passou depois de uma semana que era o tempo que li na Internet que o caroço do sistema linfático passaria. Então pesquisei de novo no Google sobre íngua na virilha e achei o que eu tinha. 



Era mesmo uma hérnia inguinal. Isso foi no final de maio. Procurei cuidar do meu cachorro até o dia da morte dele no final de julho, mesmo com o peso dele de uns 30 a 35 quilos me prejudicando, continuei a cuidar dele. Quando o Thor morreu eu agendei um médico de clínica geral e ele confirmou ser uma hérnia inguinal na virilha e que não tinha medicamento que fizesse ela sumir, tinha unicamente que operar. Caraca! morro de medo de hospital!!!




Fiquei muito assustado por ter que fazer uma cirurgia. Entrar num hospital, que devia ser o lugar mais seguro e cheio de saúde do mundo, é um risco porque hospital é o tipo de lugar que a gente pega doença, é o tal do risco de infecção hospitalar que assusta muita gente. No meu caso eu tenho um plano de saúde que me permitia ter um bom tratamento, inclusive com direito a apartamento. O médico que iria me operar eu fui fazer uma consulta com ele (médico cirurgião) e ele é um profissional super profissional, calmo, do tipo que dá todas as informações com calma e com educação. Adorei ele logo no primeiro atendimento, sabe, é muito importante você gostar e confiar no cara que vai te operar. Fiz um exames de laboratório que ele pediu, inclusive o de anestesia e tudo pronto, a data da cirurgia foi marcada: 29 de julho de 2010.




Meu companheiro foi comigo ao hospital, fomos de metro pois a cirurgia seria na Santa Casa, na região hospitalar de Belo Horizonte. Estava preparado, isso quer dizer, em jejum etc e tal. Passamos pela secretaria onde foi feito o acolhimento e a recepcionista me perguntou pelo meu estado civil. Eu disse que não era bem solteiro nem casado, pois eu tinha um compromisso com um homem (apontei para o meu companheiro que estava na cadeira ao lado de mim) e ela falou que ia por então no prontuário que eu era amaziado. Preencheu depois a ficha do meu companheiro já que ele iria ficar ao meu lado como "acompanhamente", isto é, a pessoa que fica com o paciente no quarto enquanto a gente fica internado no hospital. Depois dessa papelada, inclusive assinando o pagamento (sim, paga-se antes...) fomos para o andar do centro cirúrgico. Passou pela minha cabeça: o médico disse 10 horas da manhã para começar a cirurgia mas, médico é assim, vai aparecer umas duas a três horas depois.



O médico, contudo, apareceu no horário marcado e a enfermeira tão logo cheguei ao andar do bloco cirúrgico me disse que precisava me depilar. Eu até tinha dito ao meu médico que iria me depilar em casa mas ele me disse para não fazer em casa, era para depilar no hospital para evitar que bactérias da gilete em minha casa infestassem a região da virilha. A enfermeira passou gilete em mim e eu fiquei meio constrangido, levantava o saco para depilar na perna, passava a gilete no meu púbis. Quando terminou eu, que neste momento estava com um avental de hospital que amarra-se nas costas, entrei na sala da operação e logo me fizeram deitar. O médico auxiliar do meu cirurgia é uma gracinha, lindo e novinho, conversou comigo me tranquilizando. A anestesista veio falar comigo e fez os procedimentos. Fiquei ouvindo o povo conversar e não senti mais nada. Quando acordei umas três horas depois eu estava na sala de recuperação da anestesia. Todos que passaram pela operação ficam nessa sala até passar a anestesia, depois então vão para a enfermaria ou apartamento. No meu caso, fui para o apartamento. Lá revi o meu companheiro.



Fui me ligando aos poucos, mas vi meu companheiro ao meu lado no quarto logo quando a maca adentrou o apartamento. Me tiraram da maca para a cama, doeu muito. É parecido com a incisão de uma cesariana, só que menor do lado direito, uma cicatriz de uns 10 centímetros. O quarto era só para nós dois, tinha TV de plasma e amplas janelas com uma linda cortina de rolo na cor creme. Eu ainda não sentia direito as pernas, o saco, o pau. Estava ainda adormecido mas umas três horas depois eu já podia levantar as pernas, o que evitava fazer porque isso provocava muitas dores. Vinha enfermeiras, várias, umas para dar remédio tipo novalgina, outra para medir pressão, outra para ver se eu havia mijado. Cara, como dá pra mijar com tudo meio anestesiado. Ela dizia que se eu não mijasse teria que passar sonda, e você sabe que enfiar sonda no pau dói pra caralho. Mais tarde eu me virei para o lado e mijei um pouco, ainda bem, porque senão a enfermeira iria colocar a sonda, ordem do meu cirurgião! Meu companheiro cuidou de mim muito bem o tempo todo. Vimos TV, conversamos, brincamos com as enfermeiras que, com certeza, sabia que naquele apartamento tinha dois gays. Elas eram todas muito simpáticas, alegres. E o médico auxiliar, que já falei que era lindo, veio várias vezes, dar um apoio mais moral que médico. Evidentemente que ele dava apoio totalmente médico, mas viado você sabe como é, acaba entendendo tudo diferente...



Na manhã seguinte, lá pelas dez horas, já estava com a alta. Pegamos um taxi direto para casa, havia corrido tudo muito bem. A operação de hérnia inguinal é um dos procedimentos considerados simples, porém pedem repouso por uns quinze dias e durante isso nada de sexo. Porém eu bati várias punhetas nesse intervalo de tempo. 




Ainda não estou podendo transar, nem ativo nem passivo, por enquanto. Só no começo de outubro. Então já não terei mais nada, nem cicatriz conforme falou meu cirurgião, e minha vida transcorrerá normal. Você deve saber que se seu corpo está te avisando que algo está estranho, fora do normal. tome uma providência logo no sentido de saber o que está se passando e como tratar-se. Saúde é coisa muito, muito importante e séria. Cuide-se, meu querido, seja feliz! Abraços.



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