segunda-feira, 31 de maio de 2010

Bebendo todas na praia em julho

Todo ano é a mesma coisa: PRAIA! Tenho vontade de ir a muitos lugares como a Petrópolis e visitar o Museu Imperial. Ir a Caldas Novas e conhecer a maior piscina de ondas do Centro-oeste. Ir a Diamantina e passar uma noite ao luar na seresta. Até mesmo ir a Buenos Aires como fez um pessoal conhecido semana passada. Mas a verdade é que estou tão acostumado a ir à mesma praia no Espírito Santo que todas as outras opções são simplesmente vontades, não passa disso.



É que sou mineiro de Belo Horizonte e as praias do Espírito Santo são mais próximas, é só pegar a BR-381, que até uns poucos anos atrás era BR-262, e indo sempre pro leste chega-se à Vitória. Eu conheço muito pouco Vitória porque acabo indo para Guarapari de modo que na capital fico mesmo uma noite apenas, só o tempo de dormir em um hotel do lado do Palácio do Governo e na manhã seguinte pegar a BR-101 rumo ao sul.



Chegando em Guarapari, que adoro adoro adoro, gosto de fazer duas coisas: passear no centro comercial e ficar na Praia do Morro. Eu não sei dirigir, se soubesse eu alugaria um carro e iria para outros lugares, mas também tem a coisa da cerveja, não combina com dirigir, então está tudo certo, mesmo porque Guarapari é tudo ali, consegue-se ir aonde quiser andando. Além do mais sou do tipo que o dono do bar já conhece: sento e fico gastando em cerveja e porções até o pôr-do-sol. Entrar no mar é o que nem lembro de fazer, gosto é de ver o mar, não de mergulhar nele.



Sou gay e não escondo isso, também não levanto bandeira e dando escândalo. Digo isso pra você entender que se o dono do bar ver que eu sou gay, porque deixo claro que sou, eu fecho a conta e vou embora. O normal é eu dizer logo qual é a minha do tipo "Olha sou gay, quero ficar aqui, tem algum problema?", você deve achar que eu sou louco de fazer direto-e-reto isso para o dono do quiosque, mas é isso mesmo. Se ele achar que não tá legal eu pico a mula. Nunca aconteceu deles me tratarem mal, ao contrário, eu sou uma pessoa distinta, educada, cara de fino, e por isso eles até gostam de mim e acabam até me protegendo de caras safados, afinal não querem que eu me aborreça e vá embora. No final do dia, estão contentes com o $ da conta. Bom pra mim, bom pra eles. 



Acho que ser gay "fino" tem essa vantagem: os comerciantes gostam de atender a gente, sabem que a gente não é como os casais héteros que tem limites de dinheiro, não que eu esteja generalizando, mas você sabe que gay quando vai viajar arromba a festa, se não for pra brilhar não tem graça. Eu vou pra praia e como sempre vou aos mesmos lugares, os comerciantes já me conhecem e me tratam super bem. Acho que esta seria talvez uma das razões porque vou na praia, digo, nas mesmas praias, porque os comerciantes já me conhecem. Uma vez um dono do quiosque até me devolveu dinheiro, paguei com cartão de crédito e precisava pagar um táxi, ele chamou o taxi e pôs o valor do dinheiro no cartão, me deu o dinheiro e ainda falou pro taxista cuidar bem de mim.



No Espírito Santo depois de Guarapari eu vou até descendo até chegar emMarataízes, mas até chegar lá vou parando em uma ou outra praia que fica perto da Rodovia do Sol, passo o dia, durmo no hotel e vou pra outra praia no dia seguinte. Gosto muito de Meaípe, é um lugar tranquilo, não tem nada de mais, a não ser o povo. Aliás, na primeira vez que fui ai Espírito Santo um chegado me disse que não tem povo mais idiota que o capixaba, que se eu fosse mal tratado não ligasse pra estupidez do povo. Totalmente enganado! Sempre fui muito bem tratado, acho o povo uma delícia, fico à vontade como se estivesse com os conhecidos do meu bairro, de casa, do trabalho. 



Eu sou um cara de mente aberta, acho que gente de mente também aberta se aproxima mais de mim. Procuro ver as coisas pelo lado bom, sendo direto na comunicação, esclarecendo qual é o meu limite e qual o limite das pessoas. Tudo é uma questão de negociação nessa vida, acho que somente perdedores não pensam que é melhor ser legal com as pessoas para elas serem legal pra gente. Também sou ignorante, raríssimas vezes, quando essa regra não é acatada. Uma vez eu estava numa pizzaria e deu a hora do estabelecimento fechar e a dona simplesmente trouxe a conta e disse que estava fechando. Tive que terminar de comer a pizza rapidinho e nem cheguei na calçada ela baixou a porta de aço. Porra meu, não mandei ela tomar no cu porque era uma senhora de idade, mas nunca mais como lá e digo pra todo mundo fuja da "nona" (vovó em italiano). A coisa boa desse fato é que toda vez que eu passo em frente e estou acompanhado eu conto a história e rio bastante.



Eu apronto demais. Uma vez, em fevereiro de 2008 acho, eu estava dentro de um ônibus cheio indo de Itaóca para Piúma, quem conhece sabe que vai parando em tudo quanto é esquina. A Rodovia do Sol é na área urbana tanto que muda de nome para Avenida Marataízes. Porque eu tenho alergia tenho que ir onde tem ventilação e assim fiquei em pé na entrada perto do motorista. Eu estava chapado de cerveja, fui falando borracha pro motorista o tempo todo, sou muito engraçado (e enjoado) quando bebo, quero ser o centro das atenções. Ele conversava e ia dirigindo, eu e le falando o tempo todo e quando desci ele me disse que ia sentir saudades. Eu ri e virei e falei pra ele: você esqueceu que eu vou voltar pra Itaóca, me aguarde!



Numa dessas praias, não vou falar qual para não ser indiscreto, eu estava bebendo todas e gosto de pegar meu copo e ficar andando na areia, ai o guarda-vidas estava por lá na areia e fui conversar com ele. Papo vai, papo vem, ele disse que era da polícia militar e que conhecia todo mundo do lugar. Me perguntou se eu era amigo de um Fulano que era o viado mais rico e festeiro do lugar e se eu estava hospedado na casa dele, disse que não. Ai então ele me contou todos os lancess do lugar, quem era quem, quem comia quem, qual horário de pegação gay etc. E eu não uso maconha mas me deu a ideia de falar pra ele que eu queria um baseado. Ele disse espera ai e deixou os banhistas pra lá e entrou numa rua, uns 5 minutos ele estava de volta com uma pedra de maconha, paguei ele e coloquei na beirada da sunga. Depois eu joguei fora. A minha intenção era me integrar ao lugar, ao guarda-vidas. Trocamos o número do celular, pedi pra ele me ligar dizendo quem tinha uma casa pequena pra alugar que eu voltaria e alugaria na próxima temporada. O que nunca aconteceu, digo, ele ligou mas eu não aluguei...

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