quarta-feira, 3 de março de 2010

Sou gay e não posso ser padre

A Internet tem tanta informação que é preciso algum discernimento para saber o que é útil e o que não é. Será que saber que gay não pode ser padre é uma informação útil? Sei não, mas de qualquer forma é bom saber o que a Igreja Católica pensa a respeito. Porque a Igreja Católica? A maioria dos casos de manchetes sensasionalistas aproveitam a presença (nefasta) de padres gays na Igreja Católica, não que só acontece baixaria lá pois é claro que gays estão em 10% da população mundial e por certo em várias ocupações e atividades, inclusive nas várias denominações de igrejas. Logo há sacerdotes gays em outras religiões, é evidente. Porém, repito, os escândalos envolvendo sacerdotes gays acontecem mais frequentemente no seio da Igreja Católica, estou equivocado?



Você sabia que há um documento da CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA que trata do assunto da homossexualidade ser impedimento de um gay ser sacerdote? Vou discutir algumas dessas orientações e normas existentes desde 4 de novembro de 2005, portanto, aprovadas pelo Papa Bento XVI, acerca dos "critérios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao seminário e às ordens sacras", ou seja, se tornar seminarista e padre. 



Com a ressalva que desde o Papa João Paulo II já haviam orientações do Vaticano quanto a ficar de olho nas preferências sexuais uma vez que retratam uma preferência afetiva ou sexual que deve receber atenção daqueles a quem cabem a formação dos seminaristas e dos padres, isto é, durante todo o período de formação os responsávels pela formação de seminaristas e padres devem  se ater a existência de inclinações homossexuais naqueles, como forma de em resposta à descoberta da homossexualidade vir a tomar medidas de impedir e interromper o período de formação e eliminar o candidato gay de ser sacerdote da Igreja Católica.



 Um dos motivos de barrar o gay de ingressar na Igreja Católica como padre é que o gay não tem, segundo a Igreja Católica, maturidade afetiva. "Por isso, o candidato ao ministério ordenado deve atingir a maturidade afetiva. Tal maturidade torna-lo-á capaz de estabelecer uma correta relação com homens e com mulheres, desenvolvendo nele um verdadeiro sentido da paternidade espiritual em relação à comunidade eclesial que lhe será confiada." Uma vez que gay não pode, não consegue, atingir a tal da maturidade afetiva, está fora das intenções da Igreja Católica em aceitá-lo como padre. 


Entende-se, a partir deste texto que gay não tem maturidade afetiva, mas heterossexuais a tem. Gay é um ser humano que Deus não fez igual a como fez heteros, em relação a tal da maturidade afetiva, não é isso mesmo? Provavelmente nós gays somos imaturos afetivamente e assim quando amamos, nós não amamos realmente.

Quando sentimos pena, não sentimos pena de verdade. Quando nos sensibilizamos com a pobreza e a favelarização das cidades, a baixa qualidade cultural e educacional das pessoas. Quando nos horrorizamos com a violência que grassa por ai, não nos importamos mesmo. Não, tudo é uma fantasia de nossos corações e mentes, pois a Igreja Católica afirma que somos imaturos afetivamente. Caia na real, acorda bicha, você é imaturo afetivo e acha que pode amar? Que pode conviver sadia e construtivamente? Que está no mundo para ser feliz se ninguém é feliz sozinho e você não pode e não tem a capacidade de ter relacionamentos afetivos verdadeiros, logo a felicidade sua já era?


Como o texto a seguir é bem explicativo, vou colocar na íntegra como está no documento do Vaticano, vale a pena você ler e pensar a respeito:


"2. A homossexualidade e o ministério ordenado
 
Desde o Concílio Vaticano II até hoje, diversos documentos do Magistério, e especialmente o Catecismo da Igreja Católica, confirmaram o ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade. O Catecismo distingue entre os actos homossexuais e as tendências homossexuais. 

Quanto aos actos, ensina que, na Sagrada Escritura, esses são apresentados como pecados graves. A Tradição considerou-os constantemente como intrinsecamente imorais e contrários à lei natural. Por conseguinte, não podem ser aprovados em caso algum. 

No que respeita às tendências homossexuais profundamente radicadas, que um certo número de homens e mulheres apresenta, também elas são objectivamente desordenadas e constituem frequentemente, mesmo para tais pessoas, uma provação. Estas devem ser acolhidas com respeito e delicadeza; evitar-se-á, em relação a elas, qualquer marca de discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que possam encontrar. 

À luz de tal ensinamento, este Dicastério, de acordo com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, considera necessário afirmar claramente que a Igreja, embora respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e às Ordens sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay.

Estas pessoas encontram-se, de facto, numa situação que obstaculiza gravemente um correcto relacionamento com homens e mulheres.

De modo algum, se hão-de transcurar as consequências negativas que podem derivar da Ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente radicadas. 

Diversamente, no caso de se tratar de tendências homossexuais que sejam apenas expressão de um problema transitório como, por exemplo, o de uma adolescência ainda não completa, elas devem ser claramente superadas, pelo menos três anos antes da Ordenação diaconal."



Concluindo-se que se você é jovem e etc e tal e gostaria de ser padre na Igreja Católica, você dançou! Acontece que lá terão gente incumbida de ficar de olho para ver se tem algum gay querendo ingressar na vida sacerdotal e colocá-lo pra correr. Não perca seu tempo! Não vá achar que você, viado, vai passar batido só porque é muito inteligente e simpático. Ser inteligente e simpático é ótimo, até eu queria ser assim, mas isso não são coisas suficientes para fazer você vir a ser um padre. Padre gay está fora de cogitação! Se você não entendeu ainda, não despertou para essa dura realidade, leia o texto abaixo:


"O simples desejo de ser sacerdote não é suficiente, e não existe um direito de receber a sagrada Ordenação. Compete à Igreja, na sua responsabilidade de definir os requisitos necessários para a recepção dos Sacramentos instituídos por Cristo, discernir a idoneidade daquele que quer entrar no Seminário, acompanhá-lo durante os anos da formação [...]."

Não se engane, você se acha esperto e acha que vai se dar bem, você só é levemente gay e ningúem vai notar, ha ha ha, acho que isso NÃO vai acontecer, amiga.

"[...] o director espiritual deve recordar, nomeadamente, as exigências da Igreja acerca da castidade sacerdotal e da maturidade afectiva específica do sacerdote, e também ajudá-lo a discernir se tem as qualidades necessárias. Ele tem a obrigação de avaliar todas as qualidades da personalidade e assegurar-se de que o candidato não apresente distúrbios sexuais incompatíveis com o sacerdócio. Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas, o seu director espiritual, bem como o seu confessor, têm o dever, em consciência, de o dissuadir de prosseguir para a Ordenação.

Você pode dizer que vocè é levemente gay e assim sendo não tem uma tendência homossexual profundamente radicada. Eu te digo que não existe meio-viado, não existe ninguém levemente-gay, não existe nenhum homem que gosta de homem e esta é uma qualidade de personalidade muito boa e que a Igreja nem vai ligar pra isso. Veja bem, meu caro, você vai ser observado, dissecado, pesado e dificilmente a sua viadez não vai ser notada.

"Os Bispos, as Conferências Episcopais e os Superiores Gerais vigiem para que as normas desta Instrução sejam observadas fielmente para o bem dos próprios candidatos e para garantir sempre à Igreja sacerdotes idóneos, verdadeiros pastores segundo o coração de Cristo."

É um direito da Igreja Católica admitir em seus quadros o perfil de ser humano que ela acha bom pra ela. O que eu acho inaceitável é você querer ser padre numa organização que te odeia, não te aceita, quer te ver longe dos seus quadros funcionais. O documento é claro quando a não acietação de homossexuais como padres. É taxativamente radical. Espero que se algum dia você ouviu os dois anjinhos batendo boca, um do mal dizendo que ser padre é uma furada, e o outro anjinho do bem dizendo que você deve ser padre, você agora acredite no anjinho do mal e caia fora de se tornar padre. Mesmo porque há mais coisas para você fazer que te farão feliz e fazer feliz ao mundo do que ingressar no sacerdócio na Igreja Católica.

Aviso importante: não sou contra a Igreja Católica!

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