domingo, 17 de janeiro de 2010

Bareback o que é, fazer porquê?

Muitas vezes aparecem alguém na janelinha do MSN me convidando para fazer sexo, sem camisinha, o tal do bareback, também chamado de sexo sem borracha. Eu agradeço e digo que não é a minha escolha e digo que eu não tenho nada contra quem prática, cada um na sua, não é mesmo?



Procurei na Internet algo sobre a pratica do bareback para poder entender melhor da coisa e acabei encontrando um artigo, vou colocar aqui apenas partes dele mas eu gostaria que você conhecesse o texto na íntegra se quiser saber mais do assunto, ok? Trata-se de um artigo de Luís Augusto Vasconcelos da Silva publicado em Florianópolis pela Revista Fazendo Gênero em 25 de agosto de 2008. No formato PDF você pode acessar em http://www.abglt.org.br/docs/Barebacking%20-%20Luis_Augusto_Vasconcelos_da_Silva_46.pdf.



O autor do artigo coloca logo de início que a prática do bareback é uma atitude transgressiva em relação às normas convencionadas pela sociedade com relação ao rol de práticas sexuais. Quem faz o bareback está consciente e declaradamente rompendo os limites, ou fronteiras, impostas pela cultura e pela sociedade.



Por isso, quem faz bareback está desafiando a cultura e a sociedade, este é o ponto que caracteriza a prática como um engajamento num ato de transgressão. Evidentemente que essa transgressão legalmente não é considerado um crime, lembrando que os crimes contra a dignidade sexual no Brasil são o estupro, a corrupção de menores, atentado ao pudor e o assédio sexual.



O bareback também não está incluso nas contravenções penais, que são no Código Penal Brasileiro consideradas infrações penais menos graves que os crimes, porém o bareback só se constituiria uma contravenção penal se fosse realizado em local público ou visível, o que constituiria, como diz o Artigo 61, uma importunação ofensiva ao pudor ou um ultraje público ao pudor.



Embora ao pé da letra o barebacking seja geralmente definido como o engajamento consciente e deliberado em práticas de sexo anal desprotegido, conhecendo-se os riscos envolvidos, alguns adeptos do bareback consideram que qualquer ato que envolva o esperma seu ou de outro ou outros parceiros sexuais, é uma transa bare, mesmo que não haja relação anal. Isto esta mais em acordo com a noção original do termo barebacking, que significa, literalmente, cavalgar ou montar sem cela,
passou a ser usado no contexto da comunidade gay norte-americana, em meados da década de 1990, de forma analógica para designar o sexo entre homens sem o uso do preservativo.



Como um comportamentos de risco considerado não saudável o bareback passa a ser problematizado como uma forma simbólica de independência psicológica e resistência, uma forma de rebelião e transgressão dos valores sociais dominantes, este é o aspecto social, em termos pessoais o bareback é um comportamento de excesso, de ruptura de limites na busca de obtenção do prazer do contato total no sexo entre homens (machos).



Nesse artigo está colocado que o bareback é praticado por homens que não querem necessariamente adoecer e morrer de doença sexual contagiosa, por exemplo, a AIDS. Paradoxalmente quem pratica o sexo sem borracha (camisinha) quer ter é mais vida, porque o esperma é a fonte de vida, logo ter contato íntimo anal com o esperma de um ou mais homens, serve para aumentar a vida dentro da pessoa cujo ânus está sendo enchido com esperma.



O autor do artigo entrou em vários fóruns/blogs de barebacking na Internet e com relação ao tema do barebacking a maioria dos praticantes dizem que a camisinha aparece relacionada a uma dimensão mais artificial do sexo,
mais fria, de perda de prazer e sensibilidade, principalmente quando impede o contato com a parte mais íntima, essencial, ou preciosa do homem - seu sêmen ou esperma.



A ideia por trás da prática do sexo anal sem camisinha é ter prazer pelo carregar ou transmitir a essência do homem - sua força, seu ser, sua vida, que está no esperma do macho, para dentro do ânus. Importante esclarecer que a troca de fluidos corporais, principalmente sob a forma da porra ou leite, é o ponto essencial que fundamenta a prática do barebacking. A auto-realização sexual do praticante do bareback depende da presença da porra na transa. Isto tem relação ainda com a quantidade de porra, a abundância de esperma, constatada durante o ato de beber no pau que ejacula ou chupar o sêmen que sai do ânus do parceiro.



Outra coisa que o artigo deixa claro é que ser passivo ou dominado (e possuído) não afeta, necessariamente, a masculinidade dos parceiros envolvidos nos encontros e trocas sexuais. A "macheza" é intensificada pela quantidade (e qualidade) da gozada de outro macho. No barebacking, portanto, através da valorização do esperma (circulação e troca), existe um sentido de intercâmbio (e compartilhamento) da masculinidade, o que faz intensificar o prazer, principalmente por ser altamente transgressivo, quando homens (machos) sentem-se intimamente ligados, buscando dar e receber (excessivamente) o esperma. A ideia na coisa é que receber o esperma do outro macho significa incrementar sua própria masculinidade.



Você pode encontrar o artigo, que de minha parte como gay acho uma leitura imprescindível, fazendo pesquisa no Google como Masculinidades transgressivas: uma discussão a partir das práticas de barebacking.

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