quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Teste de AIDS hoje!

17 de dezembro de 2009 acordei cedo e fui ao CTA - Centro de Testagem e Aconselhamento da Prefeitura de Belo Horizonte para fazer o meu teste de AIDS. De fato não existe teste de AIDS, é só um modo de falar. O procedimento laboratorial é ver se há sinais de antivírus no sangue da pessoa, ou seja, se você está contaminado com o vírus do HIV seu sangue produz um certo antivírus específico para combater o vírus HIV intruso no seu corpo. O teste é justamente verificar se há no seu sangue o antivírus que está combatendo o HIV. Logo não é um teste para AIDS mas para HIV.



Achei que era só chegar e tirar o sangue e ir embora mas é preciso participar de uma palestra sobre DSTs - Doenças Sexualmente Transmissíveis. A profissional da área da saúde vai falando e escrevendo num quadro as principais doenças sexualmente transmissíveis que serão pesquisadas com a amostra do sangue, que são HIV, VDRL (sífilis) e Hepatite B e C. No começo eu já fiquei sabendo que 77% da população brasileira está ativa sexualmente e entre as pessoas que fazem sexo somente 20 a cada 100 usam camisinha. Achei muito pouco essa estatística, pensei que usar camisinha no Brasil era mais comum. Com tanta propaganda sobre camisinha como as das campanhas em toda mídia como TV e revistas, o povo não se dá conta que as DSTs são um perigo para a saúde, não somente para AIDS mas outras infecções por contato sexual como gonorréia, HPV, cancro etc etc etc.



Na palestra haviam além de mim mais um rapaz de uns 25 anos e uma mulher de uns 35 anos e eu perguntei à palestrante se era sempre assim poucas pessoas presentes e ela me disse que varia muito, o serviço é gratuito e anônimo (ninguém precisa se identificar para fazer o teste, eu quis dar meu nome e endereço...) mas muita gente acha que não tem e nunca vão ter nada em razão de fazer sexo "corretamente". Estima-se que há no Brasil em 2009 uns 600 mil infectados com o vírus HIV e que destes somente 200 mil estão em projetos de tratamento gratuitos governamentais, os demais 400 mil estão por ai com o HIV e você, eu, qualquer pessoa pode um dia ser parceiro sexual deles. Não que eles queiram estar com o HIV, muitos estão com o HIV e não sabem.



Achei muito esclarecedor ela falar que tem gente que acha que pode transar sem camisinha porque gosta muito da outra pessoa, homem ou mulher, e que confia nela e como só faz sexo com ela, não precisa usar camisinha. Até usam nos primeiros 2 anos de relacionamento, em média, mas depois não usam mais. O fato é que eles se esquecem que antes de se conhecerem eles transaram antes com outras pessoas e se transaram sem camisinha estarão trazendo para a relação os riscos de contaminação. Pode ser até um relacionamento anterior de uns 20 ou mais anos atrás, o corpo contaminado por DSTs de algumas pessoas mantém os vírus ou bactérias guardados sem apresentar sinais externos de doença e ai são prováveis transmissores. Por isso é que mesmo nas relações duradouras e monogâmicas é preciso usar camisinha.



Uma coisa que foi falada é o sexo oral que também é uma prática que permite a transmissão de DSTs e AIDS porque a boca é uma mucosa como também é o ânus, a vagina e a cabeça do pau. Estas mucosas são permeáveis, mesmo não tendo nenhum ferimento nelas, os vírus e bactérias conseguem entrar no corpo por elas. A palestrante deu uma dica de usar a camisinha masculina para fazer o sexo oral no cunete. Você pega a camisinha e corta ela no sentido do comprimento e faz ela ficar um retângulo de látex. Você segura cada uma das extremidades e estica e põe em cima da sua boca e assim você pode passar a língua no cu do parceiro com a camisinha aberta servindo de barreira. No boquete não precisa fazer isso, é claro, digo rasgar a camisinha, mas ao chupar o pau do cara você deve por a camisinha na pistola dele porque o risco de passar alguma coisa, mesmo não tendo gala ou esperma, é grande. Na verdade o risco de pegar DSTs e AIDS no boquete é comprovadamente muito menor do que no sexo anal, mas existe.



Todo o pessoal do atendimento do CTA é muito cordial e discretos, em momento algum me senti constrangido. Na hora da coleta de sangue a profissional foi muito eficiente, não doeu nada, só no começo com a picada da agulha, o restante a gente quando vê já terminou a retirada de material em 3 frasconetes. Passa um alcoozinho e põe um algodão que a gente deve manter no lugar com o braço esticado por 5 minutos. Marca-se a data de retorno, em média 15 dias depois da coleta. É preciso ir a própria pessoa, pessoalmente, porque vai passar por um atendimento pessoal quando for aberto o resultado na sua frente. Se a pessoa precisar tomar a vacina para hepatite B e C, é marcado o dia, mas essa vacina é autorizada conforme cada caso, não é um direito. A vacina de hepatite B e C é dada de graça nos postos de saúde para quem tem menos de 20 anos de idade, quem tem mais de 20 anos tem que receber a autorização médica.

Um detalhe importante: o teste de HIV deve ser feito 3 meses após a pessoa ter tido o momento de risco, isto é, transou e teve contato com secreção ou sangue do parceiro, espera 3 meses passar e ai vai lá fazer o teste de DSTs e AIDS. O que acontece é que é preciso passar o tempo da janela imunológica para que o exame dê certo. Não diante transar hoje e ir amanhã fazer o exame para ver se pegou AIDS! O seu corpo só vai produzir anticorpos que possam ser detectados pelo exame de laboratório após passar os 3 meses da janela imunológica. Não se preocupe de ficar esses 3 meses na dúvida porque se você tiver alguma DST ou ter contraído o vírus HIV, você tem que se cuidar, ainda dá tempo, quanto mais cedo melhor.

O vírus do HIV não causa problemas de imediato, isto é, não causa se a pessoa tem um sistema imunológico normal, se ela já tá com a saúde comprometida aí então são outros quinhentos, é falta de juízo mesmo ter a saúde ruim e ficar se expondo a DSTs e AIDS. Fiquei sabendo que muitas pessoas que pegam o HIV ficam sem apresentar sinais ou problemas de saúde, vão convivendo com o vírus e só, em média, de 8 a 12 anos depois que elas contraíram o vírus, é que a doença AIDS começa a se manifestar. Isso se ela é do tipo que nunca se cuidou, não correu atrás de cuidar-se, porque se ela transa em situação de risco, vai fazer o teste de DSTs e AIDS e ficar sabendo ter sido contaminada a pessoa imediatamente trata-se. Se não se tratar é tiro e queda que depois de 8 a 12 anos a doença AIDS vai aparecer e ela provavelmente vai se encontrar em um estado grave de doença.

Ter HIV não é o mesmo que ter AIDS. Ter HIV significa que o vírus está no corpo e que a pessoa é soropositiva. Tomando os coquetéis a pessoa tem muita chance de diminuir a sua carga viral e nunca ficar imunodeprimido e assim não adoecer. Vai levando a vida normalmente, não há sinais ou problemas de saúde com ela devido a estar contaminada com o vírus do HIV. Já a pessoa com AIDS - Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida, a pessoa está com o vírus HIV e está doente, apresentando um quadro de complicação na sua saúde. A AIDS é portanto a situação em que o portador do HIV está apresentando doença. Portanto, uma pessoa com HIV pode não ter AIDS, mas uma pessoa com AIDS tem o vírus HIV.





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